A Blessing for the Soggy-Hearted
Good evening, you shivering children of the sun.
Tonight, as you pull on your third pair of socks and listen
to the relentless drumming of rain on the roof—the very rain you prayed for six
months ago—remember that the God of the universe looks upon you not with the
cold indifference of a weather front, but with the tender compassion of a
Father.
For it is written: "As a father has compassion
on his children, so the Lord has compassion on those who fear Him" (Psalm
103:13). And because you are children, He has sent the Spirit of His Son into
your hearts, crying out, "Abba! Father!" (Galatians
4:6). Abba. Not "Meteorologist." Not "Climate
Controller." Father.
So, here is your irony for the night: Your bones ache for
the kiss of the sun, yet the One who holds the clouds is holding you closer
than any summer heat ever could. You are tempted to grumble at the grey, but
the grey is a sign of His mercy—water for a land that thirsts, even when you’ve
had your fill of it. You wanted the warmth of His face; He is giving you the
depth of His rain. It is not punishment; it is providence dressed in a wet
coat.
And as we recall last Sunday’s sermon on Romans
11:25-32—that great and bewildering mystery—we are reminded that mercy
is never fair. It is the rain that falls on the just and the unjust,
and it is the mercy that has fallen on all of us, Jew and Gentile, South
African and Brazilian, without distinction. St. Paul writes that God has
consigned all to disobedience, that He might have mercy on all. All.
Not just those with umbrellas. Not just those who prefer 25°C and a light
breeze. All.
So here is your blessing:
May the cold seep into your bones only to remind you that
the Spirit within you is a fire that no damp can quench.
May the endless grey skies teach you that the mystery of mercy does not depend
on the forecast—it depends on the Father.
And may the rain that makes you sigh also make you laugh, for the Son will
rise, and when He does, you will remember these soggy days as the very backdrop
of His relentless, ridiculous, all-encompassing grace.
Sleep, child of the South. Sleep, child of the Tropics.
The rain is His. The mercy is yours. And the sun—oh, the sun—is already on its
way, even now, burning bright behind the clouds of His loving, ironic, and
wholly mysterious heart.
Good night. Stay dry in the shelter of the Most High.
Uma Bênção para os
Corações Encharcados
Boa noite,
seus filhos do sol que estão tremendo de frio.
Nesta
noite, enquanto você calça o terceiro par de meias e escuta o tamborilar
implacável da chuva no telhado — exatamente a chuva pela qual você rezou seis
meses atrás —, lembre-se de que o Deus do universo olha para você não com a
indiferença gelada de uma frente fria, mas com a compaixão terna de um Pai.
Pois está
escrito: "Assim como um pai se compadece de seus filhos, o Senhor
se compadece daqueles que o temem" (Salmo 103:13). E porque vocês
são filhos, Ele enviou o Espírito de seu Filho aos seus corações, que
clama: "Aba! Pai!" (Gálatas 4:6). Aba. Não
"Meteorologista". Não "Controlador do Clima". Pai.
Então, aqui
está a sua dose de ironia para a noite: Seus ossos doem pela saudade do beijo
do sol, mas Aquele que segura as nuvens está segurando você mais perto do que
qualquer calor de verão jamais poderia. Você está tentado a resmungar contra o
cinza, mas o cinza é um sinal da misericórdia d'Ele — água para uma terra que
tem sede, mesmo quando você já está cheio dela. Você queria o calor do Seu
rosto; Ele está lhe dando a profundidade da Sua chuva. Não é castigo; é
providência vestida de casaco molhado.
E, como
lembramos do sermão de domingo passado sobre Romanos 11:25-32 — aquele grande e
desconcertante mistério —, somos lembrados de que a misericórdia nunca
é justa. Ela é a chuva que cai sobre justos e injustos, e é a
misericórdia que caiu sobre todos nós, judeus e gentios, sul-africanos e
brasileiros, sem distinção. São Paulo escreve que Deus entregou todos à
desobediência, para que tivesse misericórdia de todos. Todos.
Não apenas os que têm guarda-chuva. Não apenas os que preferem 25°C e uma brisa
suave. Todos.
Portanto,
aqui está a sua bênção:
Que o frio
penetre em seus ossos apenas para lembrá-lo de que o Espírito dentro de você é
um fogo que nenhuma umidade pode apagar.
Que os céus infinitamente cinzentos lhe ensinem que o mistério da misericórdia
não depende da previsão do tempo — depende do Pai.
E que a chuva que faz você suspirar também o faça rir, pois o Sol vai nascer, e
quando Ele nascer, você vai se lembrar desses dias encharcados como o próprio
cenário da Sua graça incansável, ridícula e que abraça todas as coisas.
Durma,
filho do Sul. Durma, filho dos Trópicos.
A chuva é d'Ele. A misericórdia é sua. E o sol — ah, o sol — já está a caminho,
mesmo agora, queimando radiante atrás das nuvens do Seu coração amoroso,
irônico e inteiramente misterioso.
Boa noite.
Fique seco no abrigo do Altíssimo.