Tuesday, May 12, 2026

A North East Brazil style Night Blessing Prayer. In English and Portuguese

Blessing for the Hour When the Rooster Sleeps on One Leg


(To be spoken at twilight, or when the heart is heavier than a full waterskin)

My Lord God of the catingueira tree and of the unending starry sky,
You who regard the prayer of the destitute (Psalm 102:17) —
not the prayer of the one with a silken tongue and a buttoned waistcoat,
but the prayer of the poor devil whose stomach knots itself in the dark,
the one who has no house number, only a thirst and a name written in the dust.

Tonight, Lord, I am that destitute.
I do not come with the hem of my robe washed clean.
I come with the mud of the road still on my feet,
and a lump in my throat the size of a dry bean.

Last Sunday, the preacher — a good man, with the voice of a cracked bell —
reminded us of Your Son, Jesus the Backlands King,
who said: When you pray, don't stand on the street corners hemming and hawing like the pagans.
No, Lord. You told us: Go into your inner room. Shut the door. Speak to the Father in secret.

But my God, my inner room is this hovel of four crooked walls.
And sometimes I don't even have the words.
Sometimes my prayer is just my open hand in the dark.

Then Your Holy Spirit nudges me and says: Remember James 5:16 —
Confess your trespasses to one another. Pray for one another, that you may be healed.
Ah, Lord! This is the hardest part!
To confess to my brother that I have eaten his portion of forgiveness.
To say to my sister: "I held a grudge against you since the drought of '98."
To admit that I have prayed more for rain than for righteousness.

But the sermon said — and my soul shuddered — that the Lord’s Prayer is not a magic formula, not a pretty string of beads.
It is a contract signed with charcoal and tears:

Our Father — You, who are more Father than my own father ever knew how to be.
Hallowed be Your name — even when I curse my own luck.
Your Kingdom come — even if it has to kick down my door.
Give us this day our daily bread — the crust, the crumb, the courage to share it.
Forgive us our debts — Lord, the oxcart of my sins is piled higher than a termite mound.
As we forgive our debtors — here is the splinter in my foot: I have a brother I still won't look in the eye.

So tonight, before the owl begins his second shift,
I pray the prayer of the destitute that You never despise:
"Lord, I can't forgive by myself. You will have to forgive in me."

And I pray the prayer of the righteous that James promised is powerful and effective:
not because I am righteous, but because I am seen.
You see me, Lord, wrestling with my grudges like Jacob with the angel.
You see me trying to shut the door of my inner room while the world bangs on it with a fist.

Now, Lord, the night comes. The cold comes. The memory of my sins comes scratching like a stray dog.
But I stretch out my hands — empty as a beggar's bowl — and I ask:

Bless this sleep.
Let no nightmare be the devil’s counterfeit sermon.
Let every breath I forget to take be held in the palm of Your destitute-regarding hand.
And if I do not wake tomorrow,
let it be said of me that I died trying to pray the way Jesus taught —
not with swollen words, but with a quiet heart,
a confessed lip,
and a forgiveness that cost me blood.

For Yours is the kingdom — not mine.
The power — not the politician's.
And the glory — not the fame of this world.

Now and forever. Amen.

(He makes the sign of the cross on the forehead of the night, spits once to ward off false piety, and lies down like a just man — or at least like one who is trying.)

Bênção pra Hora em que o Galo Dorme Numa Perna Só




(Pra ser dito no crepúsculo, ou quando o coração pesa mais que um odre cheio)

Meu Deus Senhor da catingueira e do estrelêro sem fim,
Vós que olhais para a oração do desamparado (Salmo 102:17) —
não a oração do sujeito de língua doce e colete abotoado,
mas a oração do pobre diabo cujo estômago se dá nó no escuro,
daquele que não tem número de casa, só uma sede e um nome escrito no chão de terra.

Hoje à noite, Senhor, eu sou esse desamparado.
Não venho com a barra da túnica lavada em sabão de coco.
Venho com a lama da estrada ainda nos pés,
e um galo na garganta do tamanho de um feijão de corda.

Domingo passado, o pregador — homem bom, voz de sino rachado —
nos lembrou de Vosso Filho, Jesus, o Rei do Sertão,
que disse: Quando rezar, não fique nas esquinas se pavoneando como os pagãos.
Não, Senhor. Vós nos dissestes: Entra no teu quarto. Fecha a porta. Fala com o Pai em segredo.

Mas meu Deus, meu quarto é esta tapera de quatro paredes tortas.
E às vezes eu nem tenho palavra.
Às vezes minha oração é só minha mão aberta no escuro.

Aí o Espírito Santo me cutuca e diz: Lembra de Tiago 5:16 —
Confessai vossos pecados uns aos outros. Orai uns pelos outros, para que sejais curados.
Ah, Senhor! Essa é a parte mais difícil!
Confessar ao meu irmão que comi a parte dele do perdão.
Dizer à minha irmã: "Eu guardei mágoa de você desde a seca de noventa e oito".
Admitir que rezei mais por chuva do que por justiça.

Mas o sermão disse — e minha alma se arrepiou — que o Pai-Nosso não é fórmula mágica, não é contas de rosário bonitinhas.
É um contrato assinado com carvão e lágrima:

Pai Nosso — Vós, que sois mais Pai do que meu próprio pai soube ser.
Santificado seja o Vosso nome — mesmo quando eu amaldiçôo minha própria sorte.
Venha a nós o Vosso Reino — mesmo que ele tenha que arrombar minha porta.
O pão nosso de cada dia nos daí hoje — a casca, a farofa, a coragem de repartir.
Perdoai-nos as nossas dívidas — Senhor, a carrada de meu pecado empilha mais alto que murundum.
Assim como nós perdoamos aos nossos devedores — eis aqui o espinho no meu pé: tenho um irmão que ainda não encaro no olho.

Por isso, hoje à noite, antes que a coruja comece o segundo turno,
rezo a oração do desamparado que Vós nunca desprezais:
"Senhor, eu não consigo perdoar sozinho. Vós haveis de perdoar em mim."

E rezo a oração do justo que Tiago prometeu ser poderosa e eficaz:
não porque eu seja justo, mas porque sou visto.
Vós me vedes, Senhor, brigando com minhas mágoas como Jacó com o anjo.
Vós me vedes tentando fechar a porta do meu quarto enquanto o mundo bate nela com um punho fechado.

Agora, Senhor, a noite vem. O frio vem. A lembrança dos meus pecados vem raspar que nem cachorro sem dono.
Mas estendo as mãos — vazias como a cuia do pedinte — e peço:

Abençoai este sono.
Que nenhum pesadelo seja o sermão falsificado do demo.
Que cada respiração que eu esquecer de puxar seja guardada na palma da Vossa mão que olha pro desamparado.
E se eu não acordar amanhã,
que se diga de mim que morri tentando rezar do jeito que Jesus ensinou —
não com palavras inchadas, mas com o coração sossegado,
o beiço confessado,
e um perdão que me custou sangue.

Porque Vosso é o Reino — não o meu.
O poder — não o do político.
E a glória — não a fama deste mundo.

Agora e sempre. Amém.

(Faz o sinal da cruz na testa da noite, cospe três vezes pro lado pra espantar a falsa piedade, e se deita como um homem justo — ou pelo menos como um que está tentando.)

 



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