Um Estudo Bíblico a partir do Catecismo Maior de Lutero
Introdução
Muitas pessoas pensam que a fé pertence à
igreja e que a política pertence a outro lugar. Martinho Lutero via as coisas
de maneira diferente.
No Grande Catecismo, Lutero ensina que
Deus se importa não apenas com a nossa fé pessoal, mas também com a nossa vida
em comunidade. O governo, as leis e o serviço público não estão fora da
preocupação de Deus. São dons que Deus utiliza para proteger as pessoas, manter
a paz e promover o bem da sociedade.
Este estudo explora três perguntas simples:
·
Por que Deus estabeleceu o governo?
·
Quais são as responsabilidades dos cristãos como
cidadãos?
·
Como os cristãos podem participar da vida
pública sem transformar a política em um ídolo?
Parte Um
Por
que Deus Criou o Governo?
O Quarto Mandamento: Mais do que
os Pais
Ao explicar o mandamento “Honra teu
pai e tua mãe”, Lutero diz que ele vai além dos nossos próprios pais.
Ele fala de quatro tipos de “pais”:
·
Pais e mães
·
Chefes de família
·
Autoridades civis (os “pais da nação”)
·
Pastores e outros líderes espirituais
Por quê?
Porque todos eles receberam a
responsabilidade de cuidar de outras pessoas.
Lutero diz que, quando os pais não
conseguem fazer tudo sozinhos, dependem de professores, vizinhos e, finalmente,
das autoridades públicas. O governo existe para dar continuidade a esse
trabalho de cuidado com a sociedade.
Isso significa que os governantes não
devem governar simplesmente porque possuem poder. Eles devem governar para
servir.
Um bom governo deve ter aquilo que
Lutero chama de “corações paternos” — líderes que realmente procuram o
bem do povo.
O Governo e o “Pão Nosso de Cada Dia”
Quando oramos:
“O pão nosso de cada dia nos dá hoje”,
normalmente pensamos em comida.
Lutero diz que o pão de cada dia inclui
muito mais:
·
paz
·
segurança
·
tribunais justos
·
comércio honesto
·
boas leis
·
comunidades estáveis
Sem um bom governo, até mesmo o alimento
se torna mais difícil de produzir, comprar e distribuir.
Por isso, Lutero diz que os cristãos devem
orar regularmente por aqueles que governam. Um bom governo é uma das maneiras
pelas quais Deus cuida de sua criação.
Discussão
Como essa visão muda a maneira como você pensa sobre o governo?
Em vez de perguntar:
“Quem tem o poder?”
talvez devêssemos perguntar:
“Quem está servindo ao povo?”
Parte Dois
Nossas Responsabilidades como
Cidadãos
Honrando as Autoridades
Porque o governo é um dom de Deus,
os cristãos são incentivados a respeitar aqueles que exercem funções públicas.
Isso inclui:
·
obedecer às leis justas
·
pagar impostos
·
orar pelos governantes
·
respeitar o cargo público, mesmo quando
discordamos das pessoas que o ocupam
Respeitar a autoridade não
significa concordar com todas as decisões políticas. Significa reconhecer que o
próprio cargo foi estabelecido para o bem da sociedade.
Os Limites da Obediência
Lutero também nos lembra que o
governo não é Deus.
Os cristãos pertencem a dois
reinos.
Um é o reino espiritual de Deus,
onde Cristo reina por meio do Evangelho.
O outro é o reino terreno, onde
os governos mantêm a ordem por meio das leis.
Normalmente, esses dois âmbitos
trabalham juntos.
Mas, se o governo ordenar algo
que esteja claramente contra a vontade de Deus, os cristãos devem seguir as
palavras dos apóstolos:
“Antes, importa obedecer a
Deus do que aos homens.”
Nossa lealdade a Cristo sempre
vem em primeiro lugar.
A Cidadania é uma Vocação
Na época de Lutero, muitas
pessoas acreditavam que monges e sacerdotes serviam melhor a Deus do que as
pessoas comuns.
Lutero discordava profundamente.
Ele ensinava que o trabalho
cotidiano também serve a Deus.
Um pai ou uma mãe trocando a
roupa de um bebê, um agricultor produzindo alimentos, um professor educando
crianças ou um cidadão servindo à comunidade —
todas essas coisas são vocações
santas quando realizadas com fé.
Isso significa que atividades
como:
·
votar,
·
servir em conselhos municipais,
·
trabalhar honestamente,
·
ajudar os vizinhos,
·
promover a justiça
podem se tornar maneiras de
servir a Deus.
Discussão
Você considera ser um bom cidadão como parte
da sua vocação cristã?
Por quê? Ou por que não?
Parte Três
Vivendo Fielmente na Vida Pública
O Governo Tem Responsabilidades
Lutero explica que os indivíduos não são
livres para se vingar ou usar a violência sempre que quiserem.
O governo, porém, recebeu a responsabilidade
de promover a justiça e proteger a sociedade.
Essa autoridade deve sempre ser exercida com
cuidado e em benefício do povo — e não para obter poder em benefício próprio.
Protegendo as Famílias
Lutero também acredita que o governo tem um papel na
proteção do casamento e da vida familiar, porque essas são dádivas que Deus
concedeu para o bem-estar da sociedade.
Famílias fortes contribuem para comunidades saudáveis.
O Perigo da Idolatria Política
Talvez o maior alerta de Lutero para os
cristãos seja este:
Tudo aquilo que recebe a nossa confiança
última torna-se o nosso deus.
Isso inclui a política.
Os cristãos podem apoiar partidos políticos.
Podem admirar líderes.
Podem trabalhar com paixão por causas que
consideram corretas.
Mas nenhum político, partido, ideologia ou
nação deve jamais receber a confiança que pertence somente a Deus.
A política é importante.
Mas ela não é absoluta.
Somente Cristo merece a nossa confiança
completa.
Buscando o Bem Comum
Lutero lembra aos cristãos que a vida pública nunca deve
se resumir simplesmente a “vencer”.
Nossa preocupação deve ser sempre o nosso próximo.
Perguntamos:
·
Isso protege as pessoas?
·
Isso promove a justiça?
·
Isso ajuda as famílias?
·
Isso promove a paz?
·
Isso serve ao bem comum?
Essas perguntas refletem o amor cristão muito mais do que
slogans políticos.
Discussão
Como os cristãos podem participar ativamente da política sem
permitir que a política se torne a sua identidade?
Conclusão
Lutero apresenta
uma visão maravilhosamente equilibrada da cidadania cristã.
O governo é um dom de
Deus para manter a paz e cuidar da sociedade.
Os cristãos devem
respeitar a autoridade pública, orar pelos governantes e contribuir
positivamente para suas comunidades.
Ao mesmo tempo, os
cristãos lembram que os governos são imperfeitos e jamais merecem a adoração ou
a confiança absoluta que pertencem somente a Deus.
Nossa maior lealdade
é sempre a Cristo.
Como cidadãos,
servimos ao nosso próximo.
Como cristãos,
confiamos em nosso Salvador.
As duas coisas
pertencem uma à outra — mas jamais são a mesma coisa.
Perguntas para pensar como cristao.
- Como a compreensão de Lutero sobre o
governo desafia a maneira como nossa sociedade normalmente fala sobre
política?
- O que significa respeitar os líderes
políticos sem concordar com tudo o que fazem?
- De que maneiras práticas os cristãos
podem servir às suas comunidades hoje?
- Onde você percebe a tentação de
transformar a política em um ídolo?
- Como podemos permanecer fiéis a Cristo
enquanto somos cidadãos responsáveis?
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