Blessing for the Saturday Between Fragrance and Stone
Based on Psalm 84:1; John 14:2; and the memory of Mark
14:1–9
My soul longs, yes, it actually longs—a word we
rarely use anymore, too physical, too close to thirst and to the strange ache
in the chest when the bus doesn’t come—longs for the courts of the Lord. But
tonight, Lord, the courts are empty. The candles are out. The women rest from
their spices, and the men from their calculations.
Psalm 84 says: How lovely is your dwelling place. Lovely,
yes. But also: locked. Sealed. Guarded by soldiers who yawn and think of
dinner.
We are in between. Between the extravagant woman with the
alabaster jar—last Sunday’s sermon, remember?—and the stone that has not yet
rolled away. Between her reckless perfume and the tomb’s pragmatic seal.
Between chaos that makes sense (betrayal for thirty pieces, denial before the
rooster) and a love that makes no sense at all.
In my Father’s house are many rooms, said the one who
is now underground. Not a mansion, exactly. A gaucho would note: a tenement. A
crowded boarding house in Bom Fim neighborhood in Porto Alegre. But with room.
Always room. Even for the one who ran. Even for the one who denied. Even for
the one who calculated the waste—three hundred denarii, what a loss—and missed
the kingdom standing at his feet in broken alabaster.
Tonight, Lord, the world is still calculating. Spreadsheets
of sorrow. Bulletins of betrayal. The news is a long list of what things cost.
But the woman in Bethany did not calculate. She broke. She poured. She was
called wasteful, and Jesus called her beautiful.
So bless this Saturday night, this awkward vigil, this holy
parenthesis.
Bless those who feel the stone is final.
Bless those who have loved extravagantly and been called fools.
Bless those who, like the disciples that night, are hiding in locked rooms,
afraid of their own shadow and their own hope.
Grant us the insomnia of longing—my soul faints for your
courts—and the strange peace of knowing that in the Father’s house, there
is a room with our name on it, not because we earned it, but because He has
always kept a light on for the wasteful, the weeping, the ones who arrive with
empty hands and broken jars.
And when dawn comes tomorrow—if it comes—may we find, to our
utter astonishment, not a body, but an empty space where love has risen again,
laughing at every calculation.
Amen. And good night. Or good mourning. We’re not sure yet.
But we’re watching.
Bênção para o Sábado Entre
o Perfume e a Pedra
Baseada
no Salmo 84:1; João 14:2; e na memória de Marcos 14:1–9
Minha alma
anseia, sim, ela anseia de verdade — palavra que a gente quase
não usa mais, tão física, tão perto da sede e daquela estranha aperto no peito
quando o ônibus não vem — anseia pelos átrios do Senhor. Mas nesta noite,
Senhor, os átrios estão vazios. As velas, apagadas. As mulheres descansam de
seus perfumes, e os homens, de seus cálculos.
O Salmo 84
diz: Quão amável é o teu tabernáculo. Amável, sim. Mas também:
trancado. Selado. Guardado por soldados que bocejam e pensam no jantar.
Estamos no
meio. Entre a mulher extravagante com o vaso de alabastro — o sermão do último
domingo, lembra? — e a pedra que ainda não rolou. Entre o perfume louco dela e
a pedra pragmática do túmulo. Entre o caos que faz sentido (traição por trinta
moedas, negação antes do galo cantar) e um amor que não faz sentido nenhum.
Na casa
de meu Pai há muitas moradas, disse aquele que agora está debaixo da terra. Não é bem uma mansão. Um
gaúcho notaria: um cortiço. Uma pensão lotada no Bom Fim. Mas com lugar. Sempre
lugar. Até para aquele que fugiu. Até para aquele que negou. Até para aquele
que calculou o desperdício — trezentos denários, que prejuízo — e perdeu o
reino aos seus pés em alabastro quebrado.
Esta noite,
Senhor, o mundo ainda está calculando. Planilhas de tristeza. Boletins de
traição. O noticiário é uma longa lista do que as coisas custam. Mas a mulher
em Betânia não calculou. Ela quebrou. Ela derramou. Foi chamada de
desperdiçadora, e Jesus a chamou de linda.
Então
abençoe este sábado à noite, esta vigília esquisita, este santo parêntese.
Abençoe
aqueles que sentem que a pedra é definitiva.
Abençoe aqueles que amaram extravagantemente e foram chamados de tolos.
Abençoe aqueles que, como os discípulos naquela noite, estão escondidos em
quartos trancados, com medo da própria sombra e da própria esperança.
Dá-nos a
insônia da saudade — minha alma desfalece pelos teus átrios —
e a estranha paz de saber que, na casa do Pai, há um quarto com o nosso nome,
não porque merecemos, mas porque Ele sempre deixou uma luz acesa para os
desperdiçadores, os que choram, os que chegam de mãos vazias e vasos quebrados.
E quando a
manhã vier amanhã — se vier — que encontremos, para nosso completo espanto, não
um corpo, mas um espaço vazio onde o amor ressuscitou de novo, rindo de cada
cálculo.
Amém. E boa
noite. Ou bom luto. Ainda não temos certeza. Mas estamos vigiando.
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