Friday, July 21, 2017

Cristão, você se indigna e se irrita com as coisas erradas.


Um pastor, em uma palestra para uma comunidade iniciou sua fala dizendo algo mais ou menos assim::
Tenho três coisas que eu gostaria de dizer hoje. Primeiro, enquanto dormia na noite passada, 30 mil crianças morreram de fome ou doenças relacionadas à desnutrição. Em segundo lugar, a maioria de vocês não dá a merda de importância. A terceira e o pior de tudo é que você fica muito mais chateado com o fato de eu ter dito "merda" do que com as 30 mil crianças morreram ontem à noite.

Ao citar isso, a gente obriga as pessoas a provar seu ponto de vista respondendo algo mais ou menos como, "Sim, entendi, mas eu ainda gostaria que ele colocasse o assunto de uma maneira mais educada..." Hummm, bem esta é a questão. A questão levantada por este sociólogo, na minha opinião, não é sobre as crianças (embora seja, obviamente); sua questão é que nós (cristãos) ficamos indignados com as coisas erradas. Nosso sentimento moral de indignação é na maioria das vezes muito mal direcionada.

O fato de termos rapidamente percebido a linguagem chula que nos ofende, antes de realmente registrarmos o fato de que as crianças estão morrendo, nos diz muito sobre o que nos precisa ser dito. Qualquer foco em um termo chulo e não em seu ponto maior de que as crianças estão morrendo de fome ou desnutrição e que podemos ser cúmplices já prova o que precisa nos chamar a atenção. Se houvesse um pequeno suspiro da multidão quando as palavras foram ditas ou, no mínimo, um estranhamento - tais reações foram mal direcionadas. As pessoas da congregação ficaram indignadas com a coisa errada.
O cristianismo acabou tomando o viés legalista, simplista e superficial do fundamentalismo (e até mesmo muitos aspectos do evangelicalismo), aliás, nisso podemos nos abraçar com o povo islâmico.Isto gera alguns gatilhos bastante estranhos sobre o que é que devemos nos ocupar, ou nos indignar. Aqui estão apenas alguns:

1.       Se você fica indignado ao ouvir que o casamento gay é legal ou que uma pessoa transgênera pode usar o mesmo banheiro público que você, mas você fica menos indignado com o ódio, a violência e a discriminação dirigidas a essas pessoas, muitas vezes levando ao suicídio: Você está indignado com as coisas erradas.

2.      Se você fica indignado quando as pessoas usam a saudação "Boas festas" em vez de "Feliz Natal", mas você fica menos indignado com o uso desperdício de recursos durante esta temporada e o consumismo superficial desenfreado enquanto muitos vivem na pobreza: Você está indignado com as coisas erradas.

3.      Se você fica indignado quando o governo usa seu poder para fazer corporações proteger seus trabalhadores e proteger o meio ambiente e você chama o governo de paternalista, mas você não fica nem um pouco indignado quando esses trabalhadores são explorados, feridos ou o meio ambiente é gravemente prejudicado: Você está indignado com as coisas erradas.

4.      Se você fica indignado com as famílias que recebem “Bolsa Família”, mas você está menos indignado com as estruturas institucionais, sociais e culturais que muitas vezes criam a necessidade de tal ajuda: Você está indignado com as coisas erradas.

5.      Se você fica indignado quando vê pessoas fumando cigarros ou bebendo álcool, mas você não fica nenhum pouco indignado quando você vê as pessoas se empanturrando, ou desperdiçando comida, sabendo que as pessoas vão para a cama com fome todas as noites: Você está indignado com as coisas erradas.

6.      Se você fica indignado quando entra em cartaz filmes que contêm linguagem grosseira ou nudez, mas você fica menos indignado com as exibições excessivas, sádicas e pornográficas de violência, assassinatos, sangrento e sangria em filmes de guerra, filmes de ação ou mesmo filmes como "A paixão do Cristo": Você está indignado com as coisas erradas.

7.      Se você fica indignado quando o congresso passa leis razoáveis ​​de restrição de armas, mas você está menos indignado com a quantidade de mortes acidentais relacionadas a armas de fogo entre as crianças e o nível geral de violência armada no mundo: Você está indignado com as coisas erradas.

8.     Se você fica indignado quando sente que o governo está restringindo suas liberdades religiosas, por que não se ora mais o Pai Nosso nas escolas, ou por que não tem mais ensino religioso confessional, ou por que se tirou os símbolos cristãos de câmaras de vereadores e tribunais, mas você fica bem menos indignado ou até mesmo aplaude a restrição das liberdades religiosas das outras religiões: Você está indignado com as coisas erradas.

9.      Se você fica indignado quando alguém comete adultério ou nos lapsos sexuais do próximo, mas você fica bem menos indignado quando as pessoas se reúnem para apedrejá-los, ou se reúnem para lançar insultos, fofocar ou evitá-los, ou envergonhá-los, ou aprovar leis para excluí-los: Você está indignado com as coisas erradas.

Se a nossa resposta ao que foi exposto acima é ainda é, "Eu entendi, MAS ..." você já perdeu a razão e teve razão, tudo ao mesmo tempo. Sim, você pode estar indignado com esses outros aspectos (corretamente ou incorretamente). A questão, no entanto, é que esses aspectos são pálidos em insignificância quando colocados ao lado da mais profunda e muito mais importante falha moral observada - a falha que realmente deveria nos indignar

Seria como se alguém contasse a Jesus, pouco antes de virar as mesas do cambista e agarrar um chicote, como eles estavam indignados pelo preço das pombas naquele ano. Vejam bem, não é uma falsa dicotomia. É um problema de escala.

Lembro-me de uma cena no filme "A vida é bela" onde vemos Guido (Roberto Benigni) tão feliz de pensar que seu velho amigo, o médico nazista, o ajudará depois que o médico o reconhecer e facilitar sua vida dentro da Campo de extermínio. O médico se lembra de quão inteligente era seu amigo e como ele conseguiu resolver enigmas difíceis. Começamos a pensar que o médico percebe o erro moral do campo de extermínio. Talvez ele tente salvar Guido e sua família. Mas não, finalmente percebemos, como faz Guido, que o médico simplesmente queria ajuda para resolver um enigma. Ele não vê Guido nem o sofrimento. Isso não o aborrece. O que o incomoda é não está encontrando a resposta para algo tão insignificante quanto um enigma. Ele até diz que não pode dormir à noite por causa disso.


Um exemplo extremo? Talvez. Ainda assim, acho que este é o tipo de pessoa em que nós, cristãos moralistas, nos parecemos, ou talvez corremos o risco de nos tornarmos, quando ficamos indignados com as coisas erradas, quando focamos o incidental e perdemos a questão moral mais profunda. Cristãos e seguidores de Cristo: peçamos a Deus para não sermos tal pessoa.

Sunday, July 02, 2017

Pregação do dia 2 de julho de 2017 em Rio das Antas

Monday, June 26, 2017

Crianças, discordem a vossos pais no Senhor, pois isto é justo!

Mas disse eu a seus filhos no deserto: Não andeis nos estatutos de vossos pais, nem guardeis os seus juízos, nem vos contamineis com os seus ídolos.
Eu sou o Senhor vosso Deus; andai nos meus estatutos, e guardai os meus juízos, e executai-os.
Ezequiel 20:18,19

Eu não posso te dizer quantas vezes ouvi: "Filhos, obedecei a vossos pais no Senhor, pois isto é justo", enquanto crescia. No culto infantil, no ensino confirmatório, nas pregações dos pastores, sempre foi ensinado que devemos obedecer cegamente nossos pais. Em qualquer denominação cristão a gente ve a mesma coisa em pregações para adultos, trabalhos com crianças, igreja luterana, igreja pentecostal, igreja batista, igreja não denominacional esta lição está em todos os lugares. Às crianças foi constantemente dito que, além de obedecer a Deus, o principal mandamento para crianças foi "Obedeçam a seus pais, pois isso é cumprir o 4° mandamento, Honra teu pai e mãe!" Isto estava nos ensinamentos da escola dominical. Estava no Ensino Confirmatório, na catequese, na discussão do 4° mandamento. Estava nos estudos da JE, nos cultos. E como pastor muitas vezes falei e ensinei. Nós memorizamos e nós até cantamos em alguns hinos!
Isso faz sentido, até certo ponto, porque a Bíblia exorta crianças a honrar e obedecer seus pais. Este comando é visto tanto no Tanakh, no Catecismo e as epístolas cristãs e também no Corão, no Livro de Mórmon, nos escritos Védicos. Ela remonta ao Quarto dos Dez Mandamentos: "Honra a teu pai e a tua mãe, para que seus dias se prolonguem na terra que o Senhor teu Deus te dá", mandamento recebido do Código de Hamurabi.
Mas eu posso contar em uma mão o número de vezes que eu ouvi um pastor, qualquer que seja, ou Escola Dominical numa conversa de professor sobre Ezequiel 20: 18-19, onde Deus ordena explicitamente crianças ignorar seus pais e desobedecem seus comandos, e vai sobrar muitos dedos. Eu posso contar nos dedos de uma mão, por um lado, porque isso nunca aconteceu, nem sequer uma vez sequer! E não só nunca ouvir um sermão ou lição sobre essa passagem, como eu também nunca vi o mandamento bíblico para obedecer meus pais, em certas circunstâncias, pelo menos, obter equilíbrio com o outro, de comando oposto ao desobedecer meus pais em outras circunstâncias. Eu cresci sem saber que Deus me ordenou especificamente como filho para enfrentar os meus pais às vezes. Eu cresci sem saber que as crianças têm o direito e o dever dado por Deus desafiar a autoridade quando esta estiver errando ou pecando. Enquanto me foi dada a abundância de instruções sobre quando e como obedecer aos pais e outras autoridades, nunca foi dada a menor instruções sobre quando e como a desobedecer meus pais e, principalmente, autoridades.
Minha experiência como uma criança não é única. Dr. Marcia J. Bunge explica que essa ausência de diálogo entre os cristãos sobre o mandamento bíblico para desobedecer aos pais é onipresente. Em A vocação da Criança, Bunge escreve:
Embora quase todos os teólogos hoje e no passado gostaria de salientar que as crianças devem honrar e obedecer seus pais, eles muitas vezes negligenciam a terceira e correspondente responsabilidade das crianças, que também faz parte da tradição: as crianças têm uma responsabilidade e dever de não obedecer a seus pais se seus pais ou outras autoridades adultas – como os políticos -  iria levá-los a pecar ou para realizar atos de injustiça (p. 42).
Eu acho que Ezequiel 20: 18-19 nos aponta para uma realidade importante: que os pais não são os donos de seus filhos e os filhos devem a seus pais nem obediência inquestionável, nem imediata. Isto é contrário à mensagem que temos ouvido e ensinado quando crescemos no meio cristão eque tem tendências fundamentalistas. Lá, muitos professores promover a ideia errônea da principal e primeira obediência : que se uma criança não obedece imediatamente o seu pai ou sua mãe, a criança está se rebelando diretamente contra Deus. Existe uma crença anti-bíblica de que os pais não devem a seus filhos qualquer explicação ou justificação. 
Ezequiel 20: 18-19 destaca como essa ideia é falha: se as crianças são ensinadas simplesmente que devem saltar, dançar e assoviar ao comando seu pai ou sua mãe, então as crianças não vão aprender a discernir se o comando dos pais e mães é justo, misericordioso ou correto. Ezequiel 20 é, afinal, um conto preventivo: os filhos de Israel acabaram obedecendo seus pais ("eles adoravam os ídolos imundos de seus pais"), o que levou à sua destruição. Se os pais não assumem a responsabilidade por seus filhos ​​ou não são responsáveis por seus atos ​​perante os seus filhos, ou se as crianças não têm o poder de desafiar os seus pais, então seus filhos não saberão como exigir respostas ou prestação de contas de outras autoridades, como as políticas – e aí reside muito do problema onde nosso país se encontra. No entanto, Ezequiel 20: 18-19 identifica essas mesmas ações como parte de ser uma criança ética. Isto nos quer ensinar que a paternidade deve ser muito menos sobre a imposição de obediência e mais sobre dar autonomia às crianças para tomar as suas próprias decisões em seus próprios termos.
Um problema significativo que tenho com modelos parentais fundamentalistas – cristãos ou não – é que a maioria deles nega às crianças, de forma implícita ou explicitamente, o direito às suas próprias decisões em seus próprios termos, mesmo com relação a assuntos espirituais, profundamente pessoais. A maioria deles, por exemplo, negar que as crianças possam têm um relacionamento direto com Deus. A maioria dos gurus – pastores evangélicos pentecostais brasileiros que são pequenos papas -  evangélicos e fundamentalistas parentais acreditam que as crianças estão sob um guarda-chuva da autoridade parental que intermedia a relação Deus-criança. Estes pastores gurus acreditam que, até que as crianças atinjam a idade adulta, os pais servem como algumas espécies de demi-Deus: voz oficial de Deus às crianças, representante de Deus das crianças, ou até mesmo uma metáfora terrena de Deus. A criança não pode obedecer ou servir a Deus como Deus; em vez disso, a criança obedece ou serve a Deus pela obediência ou servindo o demi-Deus, os pais .
Podemos encontrar esta ideia livro após livro nos meios fundamentalistas cristãos norte-americanos, que servem de base ao fundamentalismo cristão brasileiro: Um escreve (Michael Pérola), "O papel do pai não é o de policiais, mas mais como a do Espírito Santo"; Outro (Tedd Tripp) diz aos pais que, "Você exercer a autoridade como agente de Deus ... Você deve direcionar seus filhos em nome de Deus"; Mais um (J. Richard Fugate) escreve: "Os pais são o símbolo e representante da autoridade de Deus para os seus filhos"; Mais um (John MacArthur) diz: "Os pais estão no lugar do Senhor"; Outro (Larry Tomczak) afirma que, "O pai é o sacerdote do lar" que "representa a sua família a Deus". Todos estes são de cima para baixo, são modelos autoritários, onde o pai é o superior e que a criança é o subordinado. Não há espaço para a criança a se rebelar de forma piedosa, exceto para a mais terrível das circunstâncias.
Precisamos de uma alternativa para estes sistemas, algo como  "Quando se trata de Deus, nós não somos seus professores, que são co-espectadores da glória de Deus". Nesta visão alternativa, eu diria que o adulto não intermedia a relação Deus-criança, nem o ato adulto se faz Deus para a criança. Em vez disso, a criança - como todos os seres humanos fazem - tem uma relação direta e imediata a Deus e sua própria espiritualidade. "O Reino de Deus"  "pertence aos filhos pequenos" (Lucas 18:16). O adulto precisa caminhar ao lado da criança como um guia. Em relação a Deus, tanto a criança quanto o adulto são parceiros. Em relação uns aos outros, a criança e o adulto também não são parceiros, mas também não são presos em um sistema autoritário, de cima para baixo. Em vez disso, o adulto orienta a criança como o adulto que tem mais experiências de vida e é mais emocionalmente, mentalmente e fisicamente desenvolvido.  Alguns podem até interpretar o que eu estou dizendo como um incentivo para não se ensinar uma criança a obedecer aos pais ou outras autoridades. Mas eu não estou, de modo algum, sugerindo isso. Eu acho que, assim como é importante ensinar as crianças a respeitar a autoridade, é igualmente importante para capacitar as crianças para enfrentar a autoridade. Assim como é importante ensinar a incentivar as crianças a obedecer aos pais, é igualmente importante para a igreja incentivar as crianças a ser suas próprias pessoas e seguir seus corações.
O que eu gostaria de ver são pregações e ensinamentos que consideram passagens como Ezequiel 20: 18-19, ou o Apóstolo Paulo e o comando de Timóteo em Colossenses 3:21 aos pais para "não provoqueis vossos filhos, para que não fiquem desanimados" -com a mesma seriedade que o Quinto Mandamento recebe. Será que podemos fazer uma pregação ocasional em Ezequiel 20:18, intitulado "Crianças, desobedeçam a vossos pais e as autoridades políticas no Senhor, pois isto é justo"? Nós já temos aulas de pais sobre como fazer as crianças a obedecer; podemos ter aulas de pais sobre o que significa para as crianças desobedecer de forma piedosos? E como podemos incentivar isto? Será que podemos repensar a forma de como nos aproximamos rebelião adolescente? Talvez seja mais inspirada por Deus do que muitos pais e professores pensam.

Em última análise, eu acho que essas questões são tão relevantes e vão muito a além da esfera da paternidade e pensar teologicamente sobre as crianças, mas alcança todo o nosso jeito de lidar com nossas autoridades constituídas. É sobre caminhar na linha tênue entre obediência e desobediência que na sua essência significa ser feito à imagem de Deus.

Tuesday, June 06, 2017

Minha comunidade não faz evangelismo e missão.


Se fizéssemos uma pesquisa sobre missão da igreja, o que teríamos como resposta de nossos membros hoje? E das diretorias e presbitérios?
Fiz um exercício de imaginação de entrevista com membros:

Pergunta: Você acredita que a missão e o evangelismo devem ser uma prioridade na igreja?
"Com toda a certeza."
Pergunta: A missão e o evangelismo são uma prioridade na nossa paróquia?
"Na verdade, não. Nosso pastor não é muito de fazer evangelismo ou missão. E não recebemos ajuda da nossa igreja ou do sínodo para isso ".
Pergunta: O que você está fazendo pessoalmente para ser mais evangelista e missionário e convidar pessoas a participar da comunidade? Vir aos cultos? Participar da IECLB? Visita membros afastados, pelo menos? Convida pessoas para vir ao culto pelo celular ou whatsapp?
(daria para ouvir grilos, e bem distante!)

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Não é nem preciso se aborrecer com estatísticas sobre o declínio do ímpeto missionário e evangelístico em nossas comunidades, aliás, já dizemos que a IECLB é igreja de imigração e não de missão. Então ninguém precisa de mim, um reles pastor, para convencer quem quer eu seja que a maioria das nossas comunidades e paróquias não está chegando aos seus arredores com o evangelho, seja em palavra seja em ações. Na maioria das vezes nossas comunidades, preocupadas com sua sustentabilidade, não se apercebe que é exatamente na missão e evangelismo que está a sustentabilidade.  Também ninguém precisa de mim para fornecer dados que mostrem que nossas comunidades e paróquias não estão atingindo nem direito aos seus membros inscritos, que de lá quem é de fora.

O que nossas comunidades e paróquias está fazendo com a missão e o evangelismo? Estamos aí com mais uma campanha de missão na IECLB. A décima edição. TEMPO DE AGRADECER O meu coração bate pela missão! e precisamos nos questionar muito em nossas comunidades e paróquias sobre como nos posicionamos em nossas comunidade com relação à missão e ao evangelismo.

A questão levantada poderia ser respondida de várias perspectivas. Mas uma das principais explicações é simplesmente um problema de atitude de cada membro batizado. Existem várias atitudes perigosas e debilitantes em comunidades e paróquias que estão matando a missão e o evangelismo. Quero me referir a algumas:

1.       "É o que pagamos ao nosso pastor ou a pastora para fazer e ganha bem pago para isso". A atitude da mão-de-obra em relação à Grande Comissão é debilitante e acaba minando todo o trabalho. O ministério não é visto como ordenação ou comissão de Jesus (Mt 28.19-20), mas como uma relação de trabalho entre uma paróquia (empregadora) e um ministro, uma ministra (empregado), representado pela diretoria, e ministro ou ministra. Desta visão doentia na igreja emana de uma atitude de conforto e direito adquirido entre os membros das comunidades que pagam a anualidade – ao invés de ofertar por gratidão. Isto, acima de tudo, é totalmente não bíblico, é uma visão clubista.
2.       "Os membros leigos de nossas comunidades simplesmente não são missionários e evangelistas". Essa citação vem de ministros, ministras e outros lideranças da igreja. É o outro lado da moeda do jogo de culpa e de empura-empurra observado na colocação um acima. Os ministros e ministras que fazem esses comentários tipicamente também não são missionários e o presbitério está ficado apenas na sustentabilidade financeira. E o fator correlativo número um de uma igreja evangelística é um ministério evangelístico. Se os ministros e  ministras, bem como presbitérios são sérios sobre suas igrejas então se tornam instrumentos da Grande Comissão, e passam a se ver junto com a comunidade e o restantes dos membros, como um corpo.
3.       "A IECLB e o sínodo não nos ajuda." Essa atitude é uma continuação da questão da culpa e deflexão e jogo de empurra-empurra. As igrejas missionárias e evangelísticas não dependem de denominações para levá-los a compartilhar o evangelho, para executar a missão, que é “missio Dei” no seu âmbito de atuação. Eles veem a Grande Comissão como uma questão de responsabilidade da igreja local e de cada um dos membros.
4.       "Enfatizamos o evangelismo uma vez por ano em nossa igreja". Se o evangelismo é apenas mais uma ênfase na igreja, está morto na chegada. Deve ser “A” prioridade permanente da igreja. A Grande Comissão não é apenas outro evento, ou um evento evangelístico com um palestrante convidado; Está vivendo a igreja onde a prioridade é de compartilhar o evangelho, seja em palavras, seja em ação diaconal. Palavra pregada e diaconoa é missão e evangelismo
5.       "Eu não conheço ninguém bem, que não é cristão". Essa atitude faz parte da maior questão do amontoado sagrado de auto idolatria em muitas igrejas. Se os membros da igreja não estão desenvolvendo relações intencionais com pessoas que não são cristãs, ou desigrejadas, ou sem religião, ou de outras religiões, o evangelismo e a missão simplesmente não acontecerão. Uma igreja voltada somente para os seus, para seu próprio umbigo, vira gueto e acaba enfraquecendo, pois não alcança mais nem o crescimento biológico. Aqui está um teste a considerar. Quantos grupos de trabalho ou estudo em sua paróquia ou comunidade estão procurando regularmente se conectar com os de fora da lista de membros?
6.       "Nós não temos os recursos". As igrejas evangelísticas e missionárias mais eficazes dependem de dois recursos fundamentais: oração e obediência.

O declínio no evangelismo e da missão em nossas comunidades e paróquias não se resume apenas a estas questões-chave, a questão é bem mais complicada a ser avaliada. Meus pontos acima podem ser até bastante simplistas. O problema sempre é que muitos crentes veem o evangelismo e a missão como a responsabilidade de outra pessoa. Estreitamente relacionado com essa questão é culpa. É culpa do ministro ou da ministra (geralmente estes acabam recebendo a culpa e tem de buscar outro Campo de Atividade). É culpa do presbitério (ninguém quer este cargo, então se elege alguém sob pressão). É culpa dos membros da igreja. É culpa da igreja institucional. É culpa da economia do país.

Eu já vi comunidades fazerem mudanças dramáticas no seu jeito de ser quando apenas uma pessoa decidiu ser radicalmente obediente à Grande Comissão e começar um trabalho missionário e evangelístico, por menor que fosse.

A questão não deve ser: "E quanto a eles?"


A questão deveria ser: "E quanto a mim?"

Monday, May 22, 2017

Existem razões para a pouca participação de nossos membros nas comunidades?


Há cerca de 20 anos, um membro de uma comunidade era considerado ativo se ele ou ela ia em todo culto que houvesse.

Hoje, ficamos contentes quando um membro vem à igreja pelo menos uma vez no mês.

Algo está errado com esta consideração. Por 2.000 anos, a comunidade cristã local, por mais confusa que seja, tem sido o lugar de Deus para os membros crentes se reunirem, louvar, orar, receberem a Palavra e os sacramentos e prestarem contas uns aos outros.

Com toda a certeza quando se escreve alguma coisa sobre a participação do membro inscrito na igreja, a gente vai inevitavelmente ouvir gritos de "legalismo" ou "a igreja não é um edifício" ou "a igreja é uma reunião de desajustados".

Mas a comunidade local, a igreja local de desajustados, é o que Deus tem como Seu principal instrumento para fazer discípulos. Só que o compromisso está diminuindo, e drasticamente, entre muitos membros da igreja.

Por quê?

Na verdade, a sociedade atual minimiza a importância da comunidade cristã local. Quando o fazemos assim, é menos provável que frequentemos uma comunidade. Algumas poucas gotas de chuva podem impedir muitas pessoas de freqüentarem a igreja, mas isso não vai impedi-las de sentar-se três horas na chuva ver o seu time de futebol preferido, ou irem ao rodeio.
Nós adoramos os ídolos da atividade. Muitos membros irão substituir um dia em sua igreja com um dia de futebol, ou rodeio, ou dormir da ressaca das atividades do dia anterior, do baile, da festa.
Tiramos muitas férias da igreja. Eu não sou anti-férias. Mas há 20 anos atrás, teríamos certeza de que freqüentávamos uma igreja onde estávamos tirando férias. Hoje, muitos membros tomam umas férias da igreja mesmo estando em casa.
Não temos grandes expectativas de nossos membros. Qualquer organização com propostas sérias espera e obtém muitos membros e muito dos membros, seja uma equipe esportiva ou uma organização cívica. O que é irônico é que a maioria das comunidade e paróquias não chega perto de ser uma igreja de alta expectativa. Se o membro vem ao culto, pelo menos uma vez por mês está mais do que bom.
Elegemos membros de baixa frequência em líderes de nossas comunidades e paróquias. Quando fazemos isso pensamos em fazê-los se engajar e aumentar sua frequência, no entanto estamos fazendo uma declaração clara de que mesmo os líderes da igreja não precisam se comprometer com o lugar que supostamente lideram.
Ouvi um líder de uma organização dizer aos membros que ele não os queria se não estivessem totalmente comprometidos. Eles não poderiam ser infrequentes se eles quisessem fazer parte do grupo. Ele esperava um compromisso total.

Ele é um treinador de futebol. E todos os membros da equipe seguem essa alta expectativa de compromisso.

Se realmente esperamos fazer a diferença em nossas comunidades e nossas famílias, os membros das igrejas locais precisam ter pelo menos o mesmo nível de comprometimento que os membros das equipes esportivas.

Afinal, a missão de cada igreja local é muito mais importante.


Pelo menos deveria ser.

Tuesday, May 09, 2017

Oito razões que colocaram comunidades e ministros e ministras num ativismo exagerado.

A maioria das comunidades mantém seus ministros e ministras, bem como membros do presbitério, tão ocupados que estes já não têm mais tempo para fazer ministério.

Na verdade, eu tenho reparado que, simplesmente, as pessoas não tem mais tempo nem para conhecer seus vizinhos porque estas estão tão ocupadas com suas coisas, seu trabalho e sua igreja.

Algo não está certo com este jeito de ser igreja que estamos adotando.

É preciso fazer com que nossas comunidades, paróquias e nossas igrejas possam se tornar mais intencionais sobre fazer o ministério real em vez de ativismo ocupacional dos ministros e ministras. Por isso quero refletir em como as nossas comunidades e igrejas se tornaram tão exageradamente em um ativismo desenfreado. Talvez entender as origens do ativismo disfuncional pode ajudar as comunidades e as igrejas a evitar esse problema no futuro, ou buscar um novo caminho, mais centrado no ministério eclesial dado por Cristo.

1.       Para muitas paróquias e comunidades as atividades tornaram-se sinônimo de ministério. Por exemplo, existem grupos de trabalho de missão no sínodo e na IECLB, bem como em muitas paróquias. Estes grupos de debate, planejamento e formulação envolve viagens, custos, pessoal, que inclui muitas pessoas, leigas e ordenadas. No entanto, planos de missão tem sido feito desde a reestruturação da IECLB, desde 1997, com muitos custos diga-se de passagem. Os grupos de apoio às missões sempre fizeram bom planos – PAMI 1; PAMI2; - só que as comunidades e paróquias tem dificuldades de executar e se envolver nestes planos de missão. Mas as equipes que elaboram certamente estiveram muito ocupados e fizeram um bom plano.
2.       Programas e ministérios são adicionados, acrescentados e intensificados regularmente, mas poucos ou nenhuns são extintos. Basta olhar para os calendários de nossas paróquias. Ministros e ministras tem atividades em 3 turnos. Eles quase são exigidos a ter um ministério ou programa individual para cada membro. Os planos de visitação exigidos são quase de ofícios domésticos.  Sempre foram acrescentam alguma atividade todos os anos, mas nunca se menciona diminuir as atividades mortas ou inúteis.
3.       Programas e trabalhos de grupos que tornam-se vacas sagradas. Eles já foram o projeto pet de um membro particular ou um grupo de membros, vivo ou falecido. A idéia de eliminar o ministério não-funcional iniciado pela senhora da OASE ou pelo membro fundador há 35 anos é considerada blasfêmia.
4.       A pergunta de alinhamento não é solicitada no front end. Mesmo um bom ministério pode não ser o melhor uso do tempo para uma igreja. Em uma comunidade, os membros votaram para iniciar um trabalho porque uma pessoa se conheceu e gostou de uma atividade de outra comunidade. Mas os membros nunca consideraram se poderia haver outros tipos de trabalho que poderiam ser mais eficazes e melhor alinhados com a direção daquela comunidade e que o que dá certo numa comunidade pode não dar certo noutra.
5.       Isolamento de comportamento entre os diferentes grupos e trabalhos de uma comunidade e paróquia. Um grupo de trabalho na comunidade, paróquia ou sínodo, começa uma nova atividade que exige ajuda voluntária extensa e intensa. Mas as lideranças nunca consideraram que podem estavam ferindo outros grupos na comunidade. Os membros não têm tempo ilimitado; eles acabam tendo que fazer escolhas.
6.       Sempre falta de um processo de avaliação. A maioria das comunidades, paróquias e sínodos tem um processo orçamentário anual. Esse seria o momento ideal para fazer todas as perguntas difíceis sobre ministérios, trabalhos, grupos e programas existentes. Muitos poucos líderes da igreja aproveitam essa oportunidade.
7.       O ministério torna-se centrado nas dependências da comunidade. Em outras palavras, se não está acontecendo nas dependências das comunidades, não é um trabalho da igreja "real". Como conseqüência, mantemos nossos membros ocupados demais dentro de nossos prédios para exercer o ministério fora dos muros da igreja.
8.       Falta de liderança corajosa. É preciso coragem para uma liderança, presbitério e ministros, olhar para as atividades de uma comunidade e dizer "não" ou "o suficiente". Algumas lideranças preferem não balançar o barco e, como conseqüência, levar uma igreja para a mediocridade e mal-estar.

Estamos desperdiçando muito tempo, energia e dinheiro em nossas igrejas. Muitas vezes estamos fazendo coisas demais e tornando-nos menos eficazes. Quem sabe é hora de nossas comunidades hiperativas voltarem a ser igrejas simples.

Saturday, May 06, 2017

Ajude-me, Cristão - Eu não consigo ver Jesus


De JOHN PAVLOVITZ
em http://johnpavlovitz.com/2017/05/03/help-me-christian-i-cant-see-jesus/

Cristão,

Eu tenho um problema que talvez você possa me ajudar.

Eu continuo ouvindo vocês cristãos me dizerem que eu preciso de Jesus; Que ele é a minha única esperança, que ele é quem salva, que a melhor vida disponível aqui é vivida por conhecê-lo.

Muitos de vocês me falaram com grande afeição por esse momento em que encontraram este Jesus, e a alegria que veio em seu coração - e tudo isso soa muito bonito.

Meu problema é que eu li as palavras deste Jesus e elas são totalmente convincentes e elas falam profundamente em meu coração, mas quando me afasto delas e olho para você - eu não consigo mais vê-lo.

Eu não posso ver o "Faça para os outros como você gostaria que eles fizessem com você." Jesus, enquanto eu vejo você intimidando a comunidade LGBT da maneira como eles vivem, trabalham e adoram.

Eu não posso ver o "Bem-aventurados os pacificadores." Jesus na retórica de guerra irritada de seus pregadores para com os muçulmanos-americanos que vivem ao seu lado.

Eu não posso ver o "Amar o seu próximo como a si mesmo." Jesus, como você esticar para acumular liberdade e privilégio e direitos daqueles que adoram ou amam ou acreditam de forma diferente de você.

Eu não posso ver o "Você não pode servir tanto Deus e dinheiro." Jesus, na maneira como você acumula riqueza e perseguir a opulência e lutar por poder.

Eu não posso ver o "Tudo o que você fez por um dos menores de meus irmãos e irmãs, você fez por mim." Jesus, enquanto você se afasta daqueles que buscam refúgio da brutalidade aqui nestas praias.

Eu não posso ver o "Por que você tem tanto medo, você ainda não tem fé?" Jesus, em seus sermões aterrorizados que sugerem que você está sempre sob cerco, sempre necessitando de defesa.

Eu não posso ver o "Porque Deus amou o Mundo" Jesus, em seu nacionalismo raivoso e bandeira-acenando América Primeiro fervor e desprezo pelos estrangeiros.

Eu não posso ver o "Que o que está sem pecado, lançou a primeira pedra." Jesus, quando você gasta tanta energia para lançar condenação e gerar amargor para a maior parte do mundo.

Eu não posso ver o "dar a outra face" Jesus, em seus ressentimentos e ressentimentos, e em seu desejo de fazer com que os outros paguem por suas supostas ofensas a Deus ou a você.

Eu não posso ver o "por isto todos os povos saberão que você é meus discípulos, se você tem o amor para o próximo" Jesus, como você batalha sobre a doutrina e a denominação, e a guerra com outros cristãos.

Eu não posso ver o "Não julgue, ou você também será julgado" Jesus, como você continuamente exercem um inventário das transgressões dos outros, que você alega merecer sua condenação e justificar a sua exclusão.

Eu não posso ver a alimentação das multidões de Jesus, como você negligenciar os famintos em seus próprios bairros, enquanto você vive com transbordamento.

Não consigo ver a cura do doente Jesus, em seu silêncio enquanto os mais doentes e os mais pobres estão sendo desprovidos de cuidados.

Eu não posso ver a lavagem dos pés Jesus quando você recusa se dobrar para servir aqueles ao seu redor que estão sofrendo e sofrimento e luto.

Eu não posso ver o "Deixe a sua luz brilhar diante de todos os homens." Jesus em suas reuniões e em suas vidas e na maneira como você me trata.

E se eu não posso ver este Jesus claramente através daqueles que afirmam conhecê-lo, que professam ser dele, terei que assumir que este Jesus é imaginário.

Chegarei à conclusão de que essa busca é infrutífera e de abandoná-la inteiramente.

Eu estou olhando para você, Cristão - e eu estou tentando ver Jesus.


Mostre para mim.

Monday, May 01, 2017

Dez razões porque é mais difícil ser pastor nos dias de hoje.

Eu não preciso dizer aos que querem ser pastores hoje o quão difícil era quando eu era quando iniciei no pastorado.

Pelo contrário, eu tenho que ser honesto e dizer-lhes que é bem mais difícil agora.

Sim, é realmente mais difícil ser um pastor hoje do que no passado. Pelo menos dez grandes questões levaram a esses desafios.

1.       O advento das mídias sociais. Como conseqüência, as críticas privadas tornaram-se fóruns públicos. A vida privada de um ministro ou ministra, as críticas ao seu trabalho, os ataques pessoais, seja por mídia social, seja por e-mail, agora tem uma proporção de 24 horas por dia, sete dias por semana.
2.       Podcast de pastores e pastores youtubers. Quando eu comecei no pastorado, havia apenas alguns pastores de televisão, em alguns canais bem conhecidos, a trazer complicações teológicas para dentro da paróquia. A teologia da prosperidade apenas engatinhava com os “tele-evangelistas”. Hoje, os membros da igreja têm centenas, senão milhares, de pastores em podcast, além de uma enormidade de canais na TV, a despejar a porcaria Gospel.
3.       Diminuição do respeito pelos ministros e ministras. Quando eu iniciei no pastorado, a maioria das pessoas na sociedade tinha a vocação em alta estima, mesmo aqueles que não estavam na igreja. Tal não é o caso hoje, muito pelo contrário.
4.       Conflito de gerações na igreja e conflitos de poder na igreja. Embora sempre tenha havido algum conflito de gerações e de poder na igreja, ele é mais penetrante e intenso hoje.
5.        Expectativas das Lideranças. Espera-se que os pastores tenham hoje mais capacidade de liderança, de negócios e tenham um sem número de atividades durante a semana. Ouvimos constantemente dos pastores: "Eles não me ensinaram isso na faculdade de teologia, nem me disseram que seria assim". E ouvimos constantemente das lideranças "o pastor só trabalha no culto de domingo".
6.       O legado de uma igreja de vida programada. No passado, as soluções para as paróquias eram mais simples. As igrejas eram mais homogêneas, e as soluções programáticas podiam ser usadas em quase todos os contextos. Hoje as igrejas são mais complexas e os contextos são mais variados.
7.       Aumento dos "não praticantes". Há um aumento significativo no número de pessoas que não têm afiliação religiosa. A extinção do cristianismo cultural, onde ser membro de uma comunidade é natural, significa que é mais difícil levar as igrejas ao crescimento e até de manter estas comunidades.
8.        Mudança cultural. O ritmo das mudanças hoje é de tirar o fôlego, e muito mais desafiador hoje. É extremamente mais difícil hoje para os pastores andar lado a lado com as mudanças em torno deles. São mudanças rápidas de todo tipo, tecnológica, comunicação, moral, ética, política, social, para não falar das mudanças teológicas.
9.       Membros da igreja mais frustrados. Em grande parte, devido à mudança cultural mencionada acima, os membros da igreja estão mais frustrados e muito confusos. Eles muitas vezes jogam suas frustrações sobre os pastores, sobre a comunidade e sobre outros líderes da igreja.
10.   Comparações com igrejas ruins, ou com teologia ruim, mas que crescem. Nos anos anteriores, houve considerável homogeneidade de igreja para igreja, particularmente dentro de denominações e grupos de igrejas históricas. Hoje há uma diversidade e profusão de denominações cristãs. Mesmo nas paróquias de uma mesma denominação esta questão é problemática. Um pastor ou pastora que conduziu bem em um contexto pode ficar mal em outro, a menos que haja um esforço concertado para encontrar a combinação certa para uma igreja e pastor.
Preciso afirmar que estas dez razões não são declarações de desgraça do pastorado, ou de tristeza; elas são simplesmente constatações de uma realidade. Servir como pastor em uma paróquia hoje tem bem mais desafios do que havia quando entrei no pastorado.


Mas desafios no ministério e para o ministério são comuns em toda a história desde a primeira comunidade, em Atos, até os dias de hoje. Essa é a razão pela qual nenhum ministro ou ministra não pode conduzir seu ministério bem sem o poder, força e liderança daquele que os chamou, pois somente o Senhor que chama pode capacitar. Da mesma forma Deus não chama os capazes, ele capacita os que chama.

Saturday, April 29, 2017

Cinco razões por que "Evangelho da Prosperidade" é, na verdade, uma religião não-cristã.



Ser um cristão bom e fiel resulta em boa saúde, longa vida, abundância de bens e riqueza material?
Essa é a crença sutil - nem  tão sutil - de um tipo de cristianismo que muitas vezes é chamado de "evangelho da prosperidade".
Há um número crescente de cristãos que acreditam que - uma quantidade chocante, na verdade. E não apenas nos Estados Unidos e no Brasil, infelizmente esta é uma crença crescente em todo o mundo. Acho que isso está acontecendo em grande parte porque o cristianismo carismático é a marca de crescimento mais rápido do cristianismo em muitos lugares, e o evangelho da prosperidade é algo que parece ter infectado círculos carismáticos mais do que outros.
Enquanto eu acredito que nós como cristãos devemos ter cuidado ao declarar quem está dentro e quem está fora  e não sermos julgadores - eu sinto a ira dos caçadores hereges, então eu sei como é isso - , quando se trata deste sistema de crenças que associa ser um bom cristão com o materialismo, a saúde e a riqueza, não podemos ficar em silêncio ou pontuar em palavras: o evangelho da prosperidade está completamente fora da religião cristã. Não é cristianismo, ponto final!
Aqui estão cinco razões que uso de argumento:

 5. O evangelho da prosperidade nos encoraja a sermos focados em dinheiro em vez de focados em pessoas, no próximo.
Dentro do movimento da prosperidade, o objetivo final é como chegar daqui - falta de riqueza material - para lá - uma abundância de riqueza material.
Isso coloca o foco último desta religião no materialismo - mas não é nisso que o cristianismo é focado.
O cristianismo é uma religião que se concentra em outras pessoas - como amar outras pessoas, como discipular outras pessoas nos caminhos de Jesus e como ser o agente tangível de Deus na vida dos outros. Nada sobre o verdadeiro cristianismo é sobre o individualismo ou individualidade - na verdade, Jesus disse para se tornar um cristão que você realmente teve que morrer para si mesmo.

4. O evangelho da prosperidade promove uma religião baseada no desempenho.
O cristianismo não é uma religião sobre desempenho, mas o evangelho de prosperidade é tudo sobre desempenho.
O evangelho da prosperidade ensina que se você faz X, Y e Z - um deles geralmente envolve o envio de dinheiro para um cara, um pregador, na TV -  você receberá mais em troca - um conceito que eles chamam de "semeadura". Este paradigma vê o favor de Deus como algo que você ganha fazendo, em vez de algo que você recebe livremente pela graça de Deus.
Na verdade, Jesus acabou com este conceito quando ele descreveu o amor e o favor de Deus como sendo como a chuva que cai sobre aqueles que fazem o bem e aqueles que fazem o mal. Ele até chegou a dizer que Deus é realmente gentil com os ímpios.
Mas em vez de ver o amor e a bênção de Deus como algo livremente dado através de sua graça, o evangelho da prosperidade associa o favor de Deus com o comportamento correto, e interpreta tempos difíceis como Deus impedindo seu favor. Mas de acordo com a Bíblia, nada disso é verdade.

3. O evangelho da prosperidade promove um dos pecados mais freqüentemente condenados nas Escrituras: a ganância.
O evangelho da prosperidade é um evangelho sobre o ter mais, e que se opõe completamente ao que o cristianismo é.
Um dos pecados mais freqüentemente condenados nas escrituras é o da ganância, chegando mesmo a dizer que a ganância é idolatria. Na verdade, o apóstolo Paulo achou que a ganância é uma forma tão repulsiva de idolatria que ele ordenou aos cristãos que se recusassem a compartilhar refeições com alguém que se dizia cristão, mas era ganancioso.
Em vez disso, a mensagem cristã é aprender a contentar-se com o que você tem. Nos 10 Mandamentos somos ensinados a não "cobiçar" o que é o mesmo que dizer, "ficarás contente com o que tens". Mais uma vez, Paulo fala sobre isso e reconhece que a vida terá ciclos onde você tem abundância e Ciclos onde você não tem o suficiente, mas que o que Deus quer para nós em todos esses lugares é se contentar com o que temos.
Resumindo: se você tem o que você precisa, mas ainda quer mais - especialmente enquanto os outros estão sem - você é ganancioso, e este pecado é biblicamente considerado maldade, mesmo que a sociedade moderna - e o cristianismo americanizado, implantado no Brasil - desculpa.

2. O evangelho da prosperidade promove o elitismo entre o corpo de Cristo.
Uma das crenças centrais do cristianismo é que estamos todos em um campo de jogo igual aos olhos de Deus. Somos todos criados à imagem de Deus e temos um valor insuperável, tanto que Jesus morreu por nós. Para aqueles de nós que são cristãos, a Bíblia diz que todos somos parte de "um corpo" e que somos iguais. No entanto, o evangelho da prosperidade tem uma maneira de criar um status de elite dos cristãos - porque se você é realmente rico, deve ser porque você está fazendo isso melhor do que todos os outros.
Há alguns anos atrás, os pregadores da prosperidade, Kenneth Copeland e Jesse Duplantis, argumentaram que precisavam voar em jatos particulares porque voar em uma companhia aérea era como entrar num "tubo comprido com um bando de demônios". Eles também lamentavam o quão irritante seria para as pessoas a chegar até eles e pedir oração ... assim, eles "precisam" para voar em jatos particulares.
Este tipo de elitismo nojento não está apenas fora do cristianismo, é oposto ao cristianismo. De modo algum reflete o Jesus sem-teto, que não tinha onde “reclinar a cabeça” que saía com o pior dos pecadores.

1. O evangelho da prosperidade perverte o propósito de Deus na bênção material.
Deus pode abençoar com excesso material? Certamente! A Bíblia diz que todo dom bom e perfeito que recebemos vem de Deus. Mas o evangelho da prosperidade esquece que, nas ocasiões em que Deus abençoa alguém com excesso financeiro ou material, essa bênção vem com um propósito específico: abençoar os outros.
Quando Deus nos dá mais do que o que precisamos, ele o faz com a esperança de honrá-lo, compartilhando-o com outros que não têm o suficiente. A igreja primitiva no livro de Atos realmente fundou a primeira comunidade cristã nesta premissa - quando eles tinham mais do que necessário, eles compartilhavam suas riquezas com quem não tinha e não havia "nenhum pobre entre eles".
A ideia de que Deus dá a algumas pessoas mais do que o que elas precisam para que possam desfrutar da alta vida de luxo, enquanto as pessoas ao seu redor morrem de fome e doença, é uma repugnante perversão atual do Evangelho.
...
Há muitas coisas que estão matando a igreja hoje, mas uma das maiores coisas que matam a igreja é a ascensão de uma religião falsa e anti-Cristo que tantas pessoas acreditam erroneamente que é parte do cristianismo.

Deixe-me ser contundente: o evangelho da prosperidade e aqueles que o pregam não fazem parte da fé cristã. Acabaram por criar a sua própria religião do materialismo e estão falsamente chamando esta de "cristão".

Adaptado de http://www.patheos.com/blogs/formerlyfundie/5-reasons-prosperity-gospel-actually-non-christian-religion/?utm_campaign=shareaholic

Thursday, April 27, 2017

Estatísticas no Ministério


Vi estatísticas que me assustaram, principalmente por que as entendo como sendo verdadeiras. Note-se que estas estatísticas são dos pastores norte-americanos, e de diversas igrejas, mas cabem bem para as igrejas no Brasil, na sua maior parte.

90% dos pastores relatam trabalhar entre 55 a 75 horas por semana.
80% acreditam que o ministério pastoral afetou negativamente suas famílias. Muitos filhos de pastores já não frequentam a igreja agora por causa do que a igreja tem feito a seus pais.
95% dos pastores não oram regularmente com seus cônjuges, nem tem tempo para orar sozinhos.
33% afirmam que estar no ministério é um perigo para si e para sua família.
75% relatam crise significativa relacionada ao estresse pelo menos uma vez em seu ministério. Estes acarretam problemas psicossomáticos, gastrite, câncer, doenças cardíacas. O índice de suicídio é alto.
90% sentem-se inadequadamente treinados para lidar com as demandas do ministério.
80% dos pastores e 84% de seus cônjuges se sentem desqualificados e desestimulados como o papel dos pastores.
90% dos pastores disseram que o ministério era completamente diferente do que eles pensavam que seria antes de entrarem no ministério.
50% sentem-se incapazes de atender às demandas do trabalho.
70% dos pastores combatem constantemente a depressão.
70% dizem que têm uma auto-imagem mais baixa agora do que quando começaram.
70% não têm alguém que consideram amigo íntimo.
40% relatam conflito sério com um paroquiano pelo menos uma vez por mês, muitos destes conflitos são com o presbitério.
33% confessam ter envolvido em comportamento sexual inapropriado com alguém na igreja.
50% dos pastores se sentem tão desanimados que deixariam o ministério se pudessem, mas não têm outra maneira de ganhar a vida.
70% dos pastores se sentem muito mal pagos.
50% dos ministros começando não vai durar 5 anos.
Só 1 em cada 10 ministros realmente se aposentará como ministro de alguma forma. Com a reforma da previdência no Brasil.....
94% das famílias do clero sentem toda as pressões do ministério do pastor.
80% dos cônjuges sentem que o pastor está sobrecarregado.
80% dos cônjuges sentem-se excluídos e subestimados pelos membros da igreja.
80% dos cônjuges dos pastores desejam que seu cônjuge opte por uma profissão diferente. Muitos desejam que busque uma igreja ou fé diferente.
66% dos membros da igreja esperam que um ministro e família vivam em um padrão moral mais elevado do que eles mesmos.
Os valores morais de um cristão não são diferentes daqueles que se consideram não-cristãos.
O americano médio dirá 23 mentiras por dia. No Brasil eu não sei, mas é por aí também.
A profissão de "Pastor" está perto da camada inferior de uma pesquisa das profissões mais respeitadas, logo acima do "vendedor de carros". O pastor, por aqui também já foi mais respeitado no passado, hoje nem suas paróquias os respeitam mais.
4.000 novas igrejas começam a cada ano e 7.000 igrejas fecham.
Mais de 1.700 pastores deixaram o ministério todos os meses no ano passado.
Mais de 1.300 pastores foram mandados embora pela igreja local a cada mês, muitos sem causa.
Mais de 3.500 pessoas por dia deixaram a igreja no ano passado.
Muitas denominações relatam uma "crise de púlpito vazia". Eles não conseguem encontrar ministros dispostos a preencher posições. Na IECLB diminui cada ano o número de ingressos e de egressos nas faculdades de teologia.
Razão número 1 de os pastores deixar o ministério - pessoas na Igreja - especialmente presbitério - não estão dispostos a ir a mesma direção e objetivo do pastor. Pastores acreditam que Deus quer que eles vão em uma direção, mas as pessoas não estão dispostos a seguir ou mudar.

Estatísticas fornecidas pelo The Fuller Institute, George Barna e Pastoral Care Inc. Encontrada em http://www.pastoralcareinc.com/statistics/

Tuesday, April 25, 2017

DEUS ESTÁ COMIGO LÁ ONDE EU ESTIVER - Pastor Renato Luiz Becker

Oi! Durante as últimas semanas escrevi como se estivesse acamado; como se sentisse dor; como se ansiasse por cura; como se esperasse apoio de quem estivesse próximo. Pois está aí o texto completo. Você tem alguém na sua família ou no seu círculo de amigos que passa por esta experiência? Leia o texto. Ele pode te ajudar a servir quem precisa de ti. Abraços!
ESTOU HOSPITALIZADO
Quero organizar meus pensamentos. Eles se embaralham na minha cabeça. Hoje pela manhã eu ainda estava em casa, junto das pessoas que me querem bem. Agora, de repente, fui guindado a outro “mundo”. Estou muito abatido por causa de todo o esforço de adaptação neste novo lugar que cheira a remédios. Vou ter que aguentar o tranco – pensei. Enquanto isso as pessoas se esforçam para me colocar na cama. Neste momento divido um quarto muito simples com outras pessoas adoentadas como eu. Tomara que nos entendamos. Será que ficarei muito tempo aqui neste espaço? Tenho medo do que ainda vou viver. Os aposentos, as pessoas – tudo é muito estranho – até eu me sinto assim. Vou ter que me entregar na mão de outras pessoas. Será que elas vão dar tudo de si em favor de mim?
Do Salmo 139
Ó SENHOR Deus, tu me examinas e me conheces. Sabes tudo o que eu faço e, de longe, conheces todos os meus pensamentos. Tu me vês quando estou trabalhando e quando estou descansando; tu sabes tudo o que eu faço. Antes mesmo que eu fale, tu já sabes o que vou dizer. Estás em volta de mim, por todos os lados, e me proteges com o teu poder.
TUDO ESTÁ INCERTO
Às vezes sinto vontade de fugir daqui. Sinto-me preso. Quero ir para casa e experimentar novamente a saúde. Espero que tudo volte a ser como antes. Para tal, preciso enfrentar esta circunstância, mesmo como medo e incertezas arranhando meu peito. Sim, desconfio destas pessoas vestidas de branco que se dispõe a ajudar. Sinto-me entregue às suas mãos. Elas me alcançam medicamentos e dizem: - Isso vai ajudar. O senhor só precisa ter paciência. Eu quero acreditar nestas palavras; crer que esta gente vai fazer de tudo para me curar desta enfermidade. Mas, porque a demora em minha melhora? Ah se eu pudesse acalmar-me, não sentir mais medo do futuro!
Do Salmo 13
Ó Deus, até quando esconderás de mim o teu rosto? Até quando terei de suportar este sofrimento? Olha para mim e responde-me! O meu coração ficará alegre, pois tu me salvarás.
ANTES DA OPERAÇÃO
As enfermeiras me disseram que amanhã será o dia. Eu ouvi o recado e só afirmei meu entendimento com um leve aceno da cabeça. Agora estou só. “Solito” comigo mesmo, apesar das minhas companheiras e dos meus companheiros de dor estar em camas próximas. Essa gente próxima já passou por essa experiência. Também o medo da cirurgia já lhes é coisa do passado. Porque é que esse povo não conversa comigo? Será que ele não percebe meu desespero? Ah se apenas uma dessas pessoas acamadas me dirigisse a palavra para me libertar de medo e angústia... Essa pessoa só precisaria sentar ao meu lado, segurar minha mão e dizer: - Estou contigo! Eu poderia repartir tudo com ela: Da insegurança que sinto por causa da agulha portadora da anestesia que me promoverá a escuridão; da mexida que vão fazer dentro do meu corpo; do receio que sentirei na hora de acordar e do silêncio daquelas e daqueles que estarão na minha volta e, por fim, da angústia pelo resultado de toda esta ação. Senhor! Ajuda-me. Cuida de mim. Me segura Contigo!
Do Salmo 73
No entanto, estou sempre contigo, e tu me seguras pela mão. Ainda que a minha mente e o meu corpo enfraqueçam, Deus é a minha força, ele é tudo o que sempre preciso.
O PÓS-OPERATÓRIO
Acabou a cirurgia. Tudo passou, graças a Deus! A médica disse que a operação transcorreu bem e que não houve complicação. Isso é bom. Mas, mesmo assim, eu me preocupo. Porque é que esses fios e tubos plásticos precisam ficar ligados ao meu corpo? Esses profissionais que me servem não devem estar sendo de todo transparentes. De repente eles sabem muitos detalhes da dor que eu carrego, mas me a omitem. Sim, essa incerteza me machuca. Quando é que eu saberei de tudo, tintim por tintim? Será que precisarei inquiri-los? Os meus pensamentos mais se parecem com cordões recortados. Eles se cruzam por todos os lados e acabam arrebentando. Preciso paciência. Preciso esperar. Primeiro vou me recuperar e, depois me alegrar pelo fato de ainda estar vivo. Vou esperar até voltarem minhas forças e, então, reolhar o horizonte, esteja ele nublado ou cheio de sol.
Do Salmo 37
Ponha a sua vida nas mãos do SENHOR, confie nele, e ele o ajudará. Tenha paciência, pois o SENHOR Deus cuidará disso.
E ESSA DOR QUE NÃO ME DEIXA?
Para aguentar a dor, controlo minha respiração. A enfermeira sugere que eu respire calmamente. O problema é que a dor perpassa meu organismo, interfere em todo meu corpo. Eu não consigo mais pensar noutra coisa a não ser no sofrimento que experimento. Eu ainda só consigo resmungar e reclamar. Eu sou só dor. Aliás, sinto-me como se estivesse me afogando num lago de fogo. Acho que agora essa dor já passou - penso - mas ela logo recomeça. Ah como eu gostaria de inspirar e respirar silenciosamente, longamente, normalmente. Será que ninguém pode me puxar para fora dessa experiência dolorosa?
Do Salmo 38
Estou muito aflito. Ó SENHOR Deus, não me abandones! Não te afastes de mim, meu Deus! Ajuda-me agora, ó Senhor, meu Salvador!
OS MÉDICOS DÃO ESPERANÇA
Não aguento mais. Já passei pelo medo da operação e pelas dores que vieram depois. É duro aguentar este estado horizontal, aqui neste leito hospitalar. Já contei centenas de vezes todas as manchas na pintura do teto. As minhas forças me abandonaram. Meu corpo parece estar completamente esvaziado. Não sinto mais chão debaixo de mim. Como é que eu vou resistir a tudo isso? Sim, eu gostaria de me segurar nas palavras destes médicos que impostam a voz como se deuses fossem: - O sr. vai passar por esta, aguente só mais um pouco! Como é que eu vou conseguir isso? O fato é que eu não vejo luz no fim do túnel. Sobre quantas pedras ainda precisarei tropeçar? Eu já espero a próxima curva. O que é que me espera depois dela? Ah se eu pudesse voltar a tratar minhas galinhas e, junto, colher ovos. Aí então eu poderia voltar a acreditar em mim mesmo e em todas aquelas e aqueles que querem meu bem.
Do Salmo 38
Ó Senhor, tu ouves todos os meus gemidos. O meu coração bate depressa, estou fraco, e os meus olhos perderam o brilho.
ESTOU MELHORANDO
Já sonhei muito aqui nesta cama. Num dos meus sonhos eu caminhava por um caminho aberto. Do lado da estradinha corria um límpido riacho e o horizonte se mostrava aberto, azul celeste. Perto de mim eu também ouvia um “coral” de pássaros. Minha corrida era leve e solta, naquele risco de terra no meio da grama verde. Coisa boa poder carregar minhas queridas e meus queridos nos braços. Coisa boa aquele exercício movido pelo amor. A porta se abre. É o médico, sorridente, comunica: - Alta senhor! Eu sentia que iria recebê-la. As dores ainda só me visitavam aqui e ali, mas eram suportáveis. De vez em quando eu já meio que só ao banheiro; já me movimentava aos poucos, sempre segurando em móveis e ou no ombro de quem me oferecia apoio. Está dando certo o tratamento. Consigo caminhar novamente. Eu vou voltar. Eu vou vencer. Tudo vai melhorar...
Do Salmo 23
O SENHOR é o meu pastor: nada me faltará. Ele me faz descansar em pastos verdes e me leva a águas tranquilas. O SENHOR renova as minhas forças e me guia por caminhos certos, como ele mesmo prometeu.
SEMANAS DIFÍCEIS
As últimas semanas foram bem difíceis para mim. Consigo relembrar cada momento vivido: Meu medo, minha operação e minhas que não passavam. Minhas tentativas de caminhar sem apoio e as boas palavras das pessoas mais próximas: Você vai vencer mais esta! Estou pronto. Há um novo caminho que se abre diante de mim, uma nova oportunidade para viver. Vou seguir este novo rumo passo a passo. Vou refletir sobre todos os detalhes que vierem ao meu encontro. Vou mergulhar na proposta deste novo, alegrar-me com aquilo que pode me trazer alegria. Agradeço às pessoas que me ajudaram a chegar até aqui. Não quero esquecer daquilo que ficou para trás. Esse tempo marcado pela dor ensinou-me a enfrentar a dificuldade. Aquela “árvore” que estava sem folhas voltará a produzir “flores”.
Do Salmo 116
Meu ser inteiro, continue confiando em Deus, o SENHOR, pois ele tem sido bom para mim! Deus me livrou da morte, fez parar as minhas lágrimas e não deixou que eu caísse na desgraça. Por isso, no mundo dos que estão vivos, viverei uma vida de obediência a ele.

Saturday, April 22, 2017

Dispensacionalismo: uma doutrina mais perigosa que o próprio inferno

Theopedia define o dispensacionalismo como um "sistema teológico que ensina a história bíblica que é melhor compreendida à luz de um número de sucessivas administrações do trato de Deus com a humanidade, o que esta doutrina chama de" dispensações". Há sete ao todos: a dispensação da inocência (Criação → A morte de Adão), de consciência (Adão → Noé), de governo (Noé, Abraão), de governo patriarcal (Abraão, Moisés), de Lei Mosaica (Moisés, Cristo), de graça Reino (ainda por vir). De acordo com a teologia dispensacional, estamos atualmente na dispensação da graça, também conhecida como a era da Igreja.
Essencial para a cosmovisão do dispensacionalismo é uma teoria chamada de "arrebatamento" (quando os cristãos são "apanhados" para o céu), que desempenhará um papel crucial na inauguração do reino milenar da sétima dispensação. Com base em minhas relações com pessoas que defendem essa visão, parece que o arrebatamento acontecerá a qualquer momento. É claro, desta vez eles estão certos! Como estavam a última vez, e aquela vez antes desta, ah, também estavam certos naquela vez antes da anterior. E isto vai quase ad infinitum. Bem, como ad infinitum como você pode começar a partir do ano 1830 em diante, que é mais ou menos quando John Nelson Darby veio com todo esse hocus-pocus absurdo dispensacional.
O que é tão assustador sobre dispensationalismo é que é em grande parte (mas não inteiramente) baseado em uma leitura altamente literal e fundamentalista do livro de Apocalipse. Se você, caro leitor, não está familiarizado com a Revelação de João, ele é intenso e bastante gráfico. Não vou entrar em detalhes aqui, mas é cheio de imagens chocantes de criaturas mitológicas multi-cabeça, multi-chifres, taças de ira, trombetas de apocalipse, guerra sangrenta, um lagar de fúria, um lago de fogo e, em seguida, finalmente, um cordeiro vitorioso que introduz no reino dos céus. A compreensão dispensacional do Apocalipse reflete-se na popular série Deixada para Trás de livros e filmes. Aqui está essencialmente como o pessoal de Deixados Para Trás literaliza - quero dizer, interpreta-tudo:
Os crentes serão arrebatados para o céu. Então, a ira e a fúria de Deus serão desatadas na terra. Mil milhões serão mortos. Eles serão então lançados no inferno, para sofrerem para sempre. Tudo isso não só será endossado por Jesus, mas ele será o líder. Os crentes se alegrarão. Aleluia! AMÉM!
Coisas assustadoras, estou certo?
Mas observe que a primeira parte em particular - os crentes serão arrebatados para o céu, levados para estar com Jesus no momento oportuno.
Quão conveniente! Ou, como a Senhora da Igreja de Zorra Total diria, "bem, isso não é especial?"
Infelizmente, essa compreensão cria não só a apatia completa e absoluta, mas algo muito pior. Claro, há apatia pelo meio ambiente e apatia pela humanidade, mas, como uma espada de dois gumes, também uma promulgação das próprias coisas que os dispensacionalistas acreditam que devem acontecer antes que o fim possa vir, antes que eles possam ir ao seu partido no céu. Isso resulta em atitudes como esta, da comentarista conservadora Ann Coulter: "Deus nos deu a terra. Temos domínio sobre as plantas, os animais, as árvores. Deus disse: 'A Terra é sua. Pegue. Viole-a. É sua.'" Dá-me arrepios!
Perdoe-me enquanto vomito.
Esta atitude, que eu admito, não está simplesmente contida dentro do dispensacionalismo, ou mesmo o cristianismo para esse assunto, tem, não surpreendentemente, de fato levado a uma violação da terra, uma violação dos povos da terra, e uma violação que Continua e continua e aparentemente continuará até o fim - porque alguns acham que isto é simplesmente o modo de Deus (por favor note o sarcasmo!). Mas aqui está a coisa irônica e louca de tudo isso: parece que tudo está se tornando realidade como uma profecia auto-realizada, com muitos na igreja brincando e proeminente jogando bem com essa teologia equivocada, sem sequer uma pista de que eles são, Francamente, na verdade, um anti-Cristo.
Ufa, enfim eu disse.
Mas é verdade.
É por isso que o dispensacionalismo é tão perigoso. Porque a terra deve ser consumida no fogo, toda a paz é uma paz falsa (veja Dan. 9:27). Assim, em tempo real, a paz é violentamente sabotada em quase todos os turnos e a todo custo. E porque a violência é cíclica, ela continua escalando e escalando, mimeticamente, como uma panela de pressão defeituosa.
E falando de "mimético", não só os cristãos deste tipo acreditam que é assim que a história termina, mas também o fazem muitos fundamentalistas muçulmanos, e até mesmo muitos judeus:
Alguns muçulmanos acreditam que, para que o Madhi (o redentor do Islã) retorne, ele deve ser precedido pela violência, pela guerra e pelas fitnas intensificadas (tempos de provação, aflição e angústia). Então alguns desses muçulmanos fazem o que quiserem para trazer tudo isso.
Alguns judeus acreditam que quando o Messias (o redentor de Israel) vier, ele deve trazer violência e guerra aos seus inimigos, porque, como o profeta Isaías claramente afirma, o Dia do Jubileu é também "o dia da vingança de nosso Deus". Isaías 61: 2). Então, alguns desses judeus fazem a sua maldição para infligir sua própria vingança por amor de Deus.
É tudo altamente coincidente ou, de fato, a teoria mimética de Girard está correta em que os inimigos muitas vezes se assemelham uns aos outros. Nesse caso, parece que os inimigos se modificam mutuamente a um semelhante.
É por isso que acredito que uma visão de mundo como o dispensacionalismo é ainda mais perigosa do que o próprio inferno. O inferno, no "sentido tradicional" (como um lugar de sofrimento eterno), está contido no abstrato, o que pode ser chamado de "vida após a morte". Assim, embora possa nos fazer experimentar um tipo de inferno na terra (sendo uma doutrina francamente monstruosa). O inferno não força a sua entrada como dispensationalismo faz. Já o inferno na terra é necessário pelo dispensacionalismo. Todo esse fogo e ira deve acontecer – e quanto mais rápido, melhor. É um inferno garantido, ao passo que um inferno após a morte pode, no máximo, ser apenas especulativo.
É hora de combatermos esta doutrina claramente estúpida (por falta de uma palavra melhor), já que já causou bastante dano. Uma doutrina que é pregada por evangélicos e católicos carismáticos, pentecostais e testemunhas de Jeová, adventistas e mórmons. Se o evangelho é a paz (Efésios 6:15), mas nossa escatologia envolve um Jesus, ou um Mahdi, ou um Messias ainda não revelado, que traz a guerra ou está envolvido na guerra, então precisamos repensar a nossa prática Doutrinária, e trocá-la por boas notícias, o EVANGELHO.
Nossos pensamentos sobre o fim precisam ser vistos à luz da Cruz, à luz da pregação de cristo e de sua ressurreição, não o contrário. Lembre-se, Deus prefere se tornar um ser humano e morrer em uma cruz do que infligir violência contra nós - e se você disser o contrário, então você realmente não tem o Evangelho e não pode ser chamado de cristão.

Traduzido e adaptado a partir do texto de Matthew Distefano. Dispensationalism: A Doctrine More Dangerous Than Hell Itself - http://www.patheos.com/blogs/unfundamentalistchristians/2016/10/dispensationalism-a-doctrine-more-dangerous-than-hell-itself/