Sunday, November 22, 2020

2020, um ano para esquecer?

 Texto elaborado a guisa de relatório pastoral anual por ocasião da assembleia paroquial.



Sim, talvez este seja um ano para esquecermos.

Tivemos uma parada nos cultos de atividades e encontros, que, achávamos, não iria passar da páscoa. Passou a Pascoa, Pentecostes, Ascenção, Dia do Colono, 7 de Setembro e ainda segue.

Esquecer que as comunidades e a paróquia imaginaram que iriam passar por graves problemas financeiros devido a pandemia, pois as promoções não poderiam ser feitas para cumprir os compromissos.

Esquecer que membros passaram, e alguns estão passando, por problemas de saúde devido a pandemia. Os nomes logo passam rapidamente pela memória da gente.

Esquecer que em alguns casos houveram falecimentos e não se pode fazer um funeral adequado.

No entanto precisamos nos dar contas que temos que registrar e carregar na nossa memória muitas coisas.

Este ano nos faltou cultos presenciais. Então nos damos conta de como as atividades nas comunidades são importantes. Cultos, estudos bíblicos, OASE, coral, JE, culto infantil. Este é o ano para marcarmos em nossas agendas de que redescobrimos como é importante termos um ministro e uma ministra junto e quão importante é poder celebrar com a comunidade.

Este ano foi para se dar conta como é importante ter o ministro ou a ministra junto na hora do sepultamento, quando mesmo com restrições, os ministros e a ministra encontraram formas de estar junto com os enlutados e em formas de realizar o sepultamento, para poder acolher a família em sua dor.

Este ano foi para se dar conta de como é importante a visita mútua entre os membros. Descobrir que as mídias sociais não são somente para mandar figurinhas, mas importante instrumento de visitação virtual.

Este ano foi para se dar conta da importância dos cultos e se não podemos realizar cultos presenciais, os ministros e ministra se empenharam e descobrir uma forma virtual para alcançar os membros, seja nos cultos, seja com meditações com grupos. Mesmo retomando os encontros presenciais com as comunidades e grupos, mantém-se muito das atividades virtuais. Uma curta reflexão em áudio, enviada nos grupos pela manhã e pela noite, partilha de senhas diárias, uma breve oração, e continua-se a filmagem dos cultos para posterior postagem.

Este ano foi para se dar conta que existem formas e jeitos de se alcançar os objetivos. As comunidades usaram de suas criatividades para encontrar meios de se completar os compromissos financeiros. Fizeram cucadas, tortas, bazar, entre outras formas.

Este ano foi para se dar conta de que a igreja é muito mais que um prédio onde se faz cultos, mas que igreja são as pessoas, que precisamos cuidar umas das outras para manter a fé viva.

Este ano foi para se dar conta que presbitérios, diretorias e ministros se esforçam para manter a fé e os trabalhos funcionando, mesmo em meio às dificuldades paralisantes, como a pandemia e a economia.

Este ano foi para se dar conta que as comunidades, junto com a paróquia, podem muito mais se olharem com esperança para a realização de um objetivo.

Este ano foi para se dar conta de que não se pode realizar os eventos, evento paroquial do dia de talentos, eventos das comunidades, como o Entenfest ou a Festa do Colono, mas as comunidades se redescobriram em maneiras de se encontrar, e a manutenção da paróquia se manteve com jeitos criativos.

Este ano foi para se dar conta que os ministros têm muito trabalho e que mesmo quando tudo parece parado e fechado, os ministros e ministra continuam correndo muito para fazerem as coisas acontecer. Buscando formas criativas de manter os trabalhos das comunidades e grupos.

Temos coisas para esquecer? Com certeza tem muitas coisas que gostaríamos de esquecer! Mas estas não têm a ver com o trabalho das comunidades em si, mas das dificuldades que temos em nossas relações humanas, quando,

·         ao invés do cuidado mútuo nos machucamos,

·         ao invés do amor de uns para os outros que devemos carregar, carregamos nossos pré-conceitos, nossos pré-julgamentos,

·         ao invés de fortalecimento mútuo, preferimos a divisão e o isolamento.

·         ao invés de auxílio mútuo preferimos a auto justificação e à mutua acusação

Mas estas são questões que dizem respeito às nossas relações humanas e não à vivência comunitária, ou às dificuldades causadas pela pandemia.

Este ano foi difícil e ainda será por mais um tempo, mas é para registrarmos, como Jó precisamos escrever e dizer:

Jó 19
23Ah! Quem dera as minhas palavras fossem escritas! Sim, fossem todas gravadas em um livro histórico! 24Quisera eu elas fossem talhadas a ferro sobre o chumbo ou gravadas para sempre na rocha. 25Contudo, eu sei que meu Redentor vive, e que no fim se levantará para me defender e vindicar ainda que eu esteja no pó do meu túmulo.…

Que este ano seja de lição para todos nós e para as gerações vindouras.


No comments:

Post a Comment