Sunday, October 10, 2010

CNBB está sendo usada, lamenta bispo de Jales


Sob o título “Desmonte de um falácia”, o bispo de Jales, São Paulo, dom Demétrio Valentini, divulgou carta denunciando a publicação e distribuição de documento impresso, e de vídeos feito pelo padre Paulo Sampaio Sandes e os bispos dom Nelson Westrupp, dom Benedito Beni dos Santos e dom Airton José dos Santos, nas últimas semanas, e no dia das eleições, configurando crime eleitoral.

ALC
Brasília, quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Valentini afirmou que a falácia é dupla, destacando que a primeira invoca e usa o nome da onferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) para um documento que ela não emitiu e por isso sequer foi disponibilizado em sua página na internet.

A segunda falácia invoca a causa indiscutível da vida “para acusar de abortistas os adversários políticos, que assim passam a ser condenados como se estivessem contra a vida e a favor do aborto”.

Bispo com inserção social, firme pastoreio e clareza de análise sócio-econômica, dom Demétrio questionou a atuação da presidência do Regional Sul 1 da CNBB, ao assumir a “manifestação de comissões diocesanas, que sinalizavam claramente que não era para votar nos candidatos do Partido dos Trabalhadores (PT), em especial na candidata Dilma”.

Para ele, esta postura compromete a credibilidade da CNBB. As consequências são ainda piores, já que milhares de folhetos foram distribuídos no dia da eleição “ao arrepio da lei” e seguem “à disposição da volúpia desonesta de quem a está explorando eleitoralmente”.

Sem meias palavras, o bispo de Jales, classificou a atitude de “falácia mais sutil, e mais perversa”, ao perceber quem se arvora “em defensores da vida, para acusar de abortistas os adversários políticos, para assim impugná-los como candidatos, alegando que não podem receber o voto dos católicos”. Usam a vida como “pretexto da propaganda política contra seus adversários, e o que é pior, invocando para isto a fé cristã e a Igreja Católica”, sustentou.

Dom Demétrio apontou para a “clara posição ideológica, traduzida em opção política reacionária”, questionou o senso moral dos que “nunca relacionam o aborto com as políticas sociais que precisam ser empreendidas em favor da vida”.

Concluiu a carta denunciando a ingenuidade dos que “votam, sem constrangimento, no sistema que produz a morte, e se declaram em favor da vida”, e se julgam “no direito de condenar todos os que discordam de suas opções políticas.” Esses, escreveu, “pretendem revestir de honestidade, uma manobra que não consegue esconder seu intento eleitoral.”

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