The Communion of the Wounded
May your sleep tonight be as deep and as sought-after as the
“comfort” promised to Zion, a comfort delivered by a carpenter who spoke of
turning swords into ploughshares while men who claim his holy name now forge
ploughshares back into swords.
May your dreams be gardens, lush and unburned, where young
women will dance and young men and old together—as Jeremiah’s God once
whimsically promised—a vision so tender it’s almost a taunt in a world where
such joy is rationed or rubble.
May you feel, in the cool dark, a solidarity that is not
theoretical. May you share in the fellowship of His sufferings—as
the Corinthians were told—that peculiar, bitter communion where every flinch at
distant thunder, every gasp at a headline, binds you to every parent, every
child, in every shadow, on every side of every line drawn by kings and
generals. The “Jesus Warrior” sells you a victory; the Crucified One offers you
this shared, sacred tremor. Which, tonight, feels more real?
And recalling last Sunday’s words, borrowed by the Anointed
One in Nazareth:
May the ashes on your head, if ashes you wear, be a crown of beauty.
May the weeping that muffles your pillow be the oil of gladness.
May the spirit of heaviness feel, for just one moment, like a garment
of praise.
For He is here, they said. For you.
Not in the strident, flag-draped glory of the “warrior.”
But in the silence that follows the echo of the sermon.
In the tear that refuses to be politicized.
In the stubborn, ironic hope that plants an olive tree the day after the soil
has cooled.
In the shared suffering that becomes, inexplicably, a shared future hope.
So rest, weary world. The blessing is not a shield. It is a
shared wound, salved with irony, and stitched with a love that refuses to call devastation
holy.
Sleep. And if you cannot sleep, know that He is here, in
the watching with you.
A Comunhão dos Feridos
Que o teu
sono esta noite seja tão profundo e tão almejado quanto o "conforto"
prometido a Sião, um conforto trazido por um carpinteiro que falou em
transformar espadas em arados, enquanto homens que usam o seu nome agora forjam
arados de volta em espadas.
Que os teus
sonhos sejam jardins, luxuriantes e não queimados, onde as jovens dançarão, e
os jovens e os velhos juntos — como o Deus de Jeremias uma vez prometeu de
forma quase caprichosa — uma visão tão terna que se torna quase uma provocação
num mundo onde tal alegria é racionada ou reduzida a escombros.
Que sintas,
no escuro fresco, uma solidariedade que não seja teórica. Que compartilhes a
comunhão dos seus sofrimentos — como foi dito aos Coríntios — essa comunhão
peculiar e amarga onde cada estremecimento com um trovão distante, cada suspiro
diante de uma manchete, te liga a cada pai, a cada criança, em cada sombra, de
cada lado de cada linha traçada por reis e generais. O "Guerreiro de
Jesus" te vende uma vitória; o Crucificado te oferece este tremor
compartilhado e sagrado. Qual, esta noite, te parece mais real?
E
recordando as palavras do último domingo, emprestadas pelo Ungido em Nazaré:
Que as
cinzas sobre a tua cabeça, se cinzas portas, sejam uma coroa de beleza.
Que o
pranto que abafa o teu travesseiro seja o óleo da alegria.
Que o
espírito de desânimo sinta, por um só instante, como um manto de louvor.
Pois Ele
está aqui, disseram. Por ti.
Não na
glória estridente e embandeirada do "guerreiro".
Mas no
silêncio que segue o eco do sermão.
Na lágrima
que se recusa a ser politizada.
Na
esperança teimosa e irônica que planta uma oliveira no dia em que a terra
arrefece.
No
sofrimento compartilhado que se torna, inexplicavelmente, uma esperança futura
compartilhada.
Portanto,
descansa, mundo cansado. A bênção não é um escudo. É uma ferida compartilhada,
tratada com ironia e costurada com um amor que se recusa a chamar de sagrada a devastação.
Dorme. E se
não puderes dormir, sabe que Ele está aqui, na vigília contigo.
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