Friday, February 20, 2026

Night blessing on the path of our bitterness. in English and Portuguese

 

Night Blessing with Scripture and Ash Wednesday Theme

 


And now, as the day exhales its last weary breath, let us consider this blessing of the night. It is not a blessing of loud jubilation, for the heart is a crowded tenement and the noise of the day still echoes in its hallways. It is a blessing for the tired, for those whose names are written in a book they have never seen, for those who carry a brick in their soul.

We look to the psalmist, who cried out, “Praise our God, all peoples, let the sound of his praise be heard; he has preserved our lives and kept our feet from slipping.” A fine blessing, a good blessing. But tonight, let us be honest. Our feet have slipped. Not on the mud of the street, but on the polished floors of forgetting. We have forgotten the names of our own sorrows. We have let them become unnamed, like the children of Israel in that new Egypt, where a new king arose who did not know Joseph. He did not know the story, and so the story became one of brick and mortar, of bitterness and hard service.

So tonight, on the cusp of Ash Wednesday, we look toward that other story, from the book of Exodus. The new king says, “Come, let us deal shrewdly with them.” And the shrewdness, the deep and lasting cruelty, was not just the lash, not just the mortar, but the erasure. The taskmasters were made ruthless, but the true bitterness was that the people’s lives were made bitter with hard service. The bitterness was the nameless, endless toil.

This is the bitterness we carry. It is the bitterness of a slight from years ago that we cannot quite recall, yet it sits in our gut like a stone. It is the bitterness of a word unspoken, a love unreturned, a promise that crumbled to dust. It is the bitterness of a grief so old we have forgotten its original face, yet it colors every morning gray. We carry it with us, these unnamed bricks, and we build with them the walls of our own private Egypt.

And so, this blessing is a naming. It is a small, courageous act of defiance against the new king who would have us forget.

We look now to the words of Paul to the Romans, a prayer for a different kind of endurance. “May the God who gives endurance and encouragement give you the same attitude of mind toward each other that Christ Jesus had, so that with one mind and one voice you may glorify the God and Father of our Lord Jesus Christ.”

This is the blessing for the night. Not that the bitterness will vanish, but that the God of endurance—the God who saw the affliction of Israel, who heard their cry—will give us the courage to name it. To look at the brick in our hand and say, This is the brick of my father’s silence. To look at the mortar and whisper, This is the mortar of my own fear. To name the taskmaster that lives within us, the one who shouts, “Work faster! Forget! There is no time for tears!”

To name it is to begin to see it. And to see it, in the presence of a God who gives encouragement, is to begin to let it go.

So may you, this night, have the endurance to sit with your unnamed bitterness. May you have the encouragement to give it a name, however small, however trembling. May you find, in the God who preserves our lives, the quiet space to let one brick fall from your weary hands.

And in that falling, may you find a moment of the same mind, the same heart, that knows the end of the story is not Egypt, but a path through the sea.

Sleep. Rest your burdened soul. The naming can wait for the morning light, or for the ash on your brow tomorrow. Tonight, let the God of endurance simply hold you, and the weight you carry. Amen.

 

Bênção da Noite com Escrituras e Tema da Quarta-feira de Cinzas

 


E agora, enquanto o dia exala seu último e cansado suspiro, consideremos esta bênção da noite. Não é uma bênção de jubilo ruidoso, pois o coração é um cortiço lotado e o barulho do dia ainda ecoa em seus corredores. É uma bênção para os cansados, para aqueles cujos nomes estão escritos num livro que nunca viram, para aqueles que carregam um tijolo na alma.

Olhamos para o salmista, que clamou: "Bendizei, ó povos, ao nosso Deus; e fazei ouvir a voz do seu louvor. Ele preserva a nossa alma da morte, e não consente que resvalem os nossos pés." Uma bela bênção, uma boa bênção. Mas esta noite, sejamos honestos. Nossos pés resvalaram. Não na lama da rua, mas nos assoalhos polidos do esquecimento. Esquecemos os nomes de nossas próprias mágoas. Deixamos que elas se tornassem inominadas, como os filhos de Israel naquele novo Egito, onde um novo rei se levantou que não conhecia José. Ele não conhecia a história, e por isso a história se tornou uma de tijolo e cal, de amargura e servidão dura.

Então esta noite, na véspera da Quarta-feira de Cinzas, olhamos para aquela outra história, do livro do Êxodo. O novo rei diz: "Eia, usemos de sabedoria para com eles". E a sabedoria, a crueldade profunda e duradoura, não foi apenas o açoite, não foi apenas a argamassa, mas o apagamento. Os feitores foram impiedosos, mas a verdadeira amargura era que a vida do povo se tornara amarga pela dura servidão. A amargura era o trabalho interminável e sem nome.

Esta é a amargura que carregamos. É a amargura de uma desfeita de anos atrás que não podemos recordar bem, mas que está entalada no estômago como uma pedra. É a amargura de uma palavra não dita, um amor não correspondido, uma promessa que virou pó. É a amargura de uma dor tão antiga que esquecemos seu rosto original, mas que ainda assim tinge todas as manhãs de cinza. Nós a carregamos conosco, esses tijolos sem nome, e construímos com eles as paredes do nosso Egito particular.

E, portanto, esta bênção é um ato de nomear. É um pequeno e corajoso ato de desafio contra o novo rei que quer que esqueçamos.

Olhamos agora para as palavras de Paulo aos Romanos, uma oração por um tipo diferente de perseverança. "Ora, o Deus de paciência e consolação vos conceda o mesmo sentimento uns para com os outros, segundo Cristo Jesus. Para que concordes, a uma boca, glorifiqueis ao Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo."

Esta é a bênção para a noite. Não que a amargura vá desaparecer, mas que o Deus da perseverança — o Deus que viu a aflição de Israel, que ouviu seu clamor — nos dará a coragem de nomeá-la. De olhar para o tijolo em nossa mão e dizer: Este é o tijolo do silêncio de meu pai. De olhar para a argamassa e sussurrar: Esta é a argamassa do meu próprio medo. De nomear o feitor que vive dentro de nós, aquele que grita: "Trabalhe mais depressa! Esqueça! Não há tempo para lágrimas!"

Nomear é começar a ver. E ver, na presença de um Deus que dá consolação, é começar a deixar ir.

Assim, que você tenha, esta noite, a perseverança para sentar-se com sua amargura inominada. Que você tenha a consolação para dar a ela um nome, por menor que seja, por mais trêmulo que seja. Que você encontre, no Deus que preserva nossas vidas, o espaço silencioso para deixar cair um tijolo de suas mãos cansadas.

E nessa queda, que você encontre um momento do mesmo sentimento, do mesmo coração, que sabe que o fim da história não é o Egito, mas um caminho através do mar.

Durma. Descanse sua alma sobrecarregada. A nomeação pode esperar pela luz da manhã, ou pela cinza em sua testa amanhã. Esta noite, deixe simplesmente que o Deus da perseverança te segure, a você e ao peso que carrega. Amém.

 


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